Documentos obtidos pelo site O Cafezinho mostram que a empresa de Paulo Figueiredo nos Estados Unidos, a International Treasure Group, foi condenada pela Justiça americana a devolver US$ 140 mil, mais juros, no processo ligado à falência de Miles Guo, bilioná…

Documentos obtidos pelo site O Cafezinho mostram que a empresa de Paulo Figueiredo nos Estados Unidos, a International Treasure Group, foi condenada pela Justiça americana a devolver US$ 140 mil, mais juros, no processo ligado à falência de Miles Guo, bilionário chinês condenado a 30 anos de prisão por um golpe bilionário contra investidores.

A sentença contra a firma de Figueiredo saiu em outubro de 2025, à revelia, em uma corte federal de falências no Distrito de Connecticut. A empresa é descrita como uma consultoria da Flórida pertencente ao bolsonarista, que hoje vive nos Estados Unidos e atua ao lado de Eduardo Bolsonaro na campanha por sanções contra o Brasil.

O dinheiro que a empresa de Figueiredo terá de devolver saiu de uma das firmas de fachada usadas por Guo para esconder patrimônio e movimentar valores obtidos no esquema fraudulento. O chinês, aliado de Steve Bannon, vendia a seguidores a ideia de uma cruzada anticomunista e arrecadou recursos por meio de negócios como mídia, clube privado e criptomoeda.

A Gettr, rede social que contratou a empresa de Figueiredo, também foi condenada no mesmo escândalo a devolver US$ 21 milhões, cerca de R$ 115 milhões. Na época, a plataforma era comandada por Jason Miller, ex-porta-voz de Donald Trump e um dos principais operadores da ofensiva bolsonarista em Washington.

O ponto mais sensível dos documentos é o contrato anexado ao processo. Figueiredo apresentou aos autos um acordo assinado em agosto de 2021 que previa pagamento fixo de US$ 35 mil por mês à sua empresa. Em quatro meses, o total chega exatamente aos US$ 140 mil cobrados pela Justiça americana. O contrato teria as assinaturas de Paulo Figueiredo e de Jason Miller, então chefe-executivo da Gettr.

A operação também teria bancado a transmissão de um congresso de médicos do chamado “tratamento precoce”, em plena pandemia, e encomendado uma pesquisa presidencial com regra política definida: se o resultado fosse ruim para Jair Bolsonaro, ficaria na gaveta. A estrutura, segundo a reportagem, revelaria o uso da plataforma para interferir na política brasileira.

Figueiredo tenta anular a condenação de sua empresa. Em declaração juramentada ele alegou que correspondências da firma ficavam em uma área comum da casa e que estava ocupado com viagens a Washington e problemas jurídicos e de segurança ligados à sua atuação política no Brasil.