Economistas revisam para cima as projeções do IPCA de 2026 e 2027; moeda americana sobe 9,2% na semana pós-reeleição de Lula

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31.out.2026 às 23h00

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Leonardo Vieceli Maeli Prado

Rio de Janeiro e São Paulo

O dólar mais alto após a reeleição do presidente Lula (PT) surge como risco adicional para a inflação e começa a provocar revisões nas projeções de economistas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Segundo eles, a ameaça ocorre em um momento no qual os preços dos alimentos já refletem os impactos iniciais do fenômeno climático El Niño.

A moeda americana fechou a sexta-feira (30) em R$ 5,447, a maior cotação neste ano. A alta acumulada na semana pós-eleições foi de 9,2%. Trata-se de uma resposta do mercado financeiro ao temor de um ajuste fiscal insuficiente por parte do governo.

Caso se mantenha em nível superior ao verificado antes das eleições, o dólar pode pressionar os preços em diferentes setores da economia.

A moeda afeta a produção de bens que dependem da importação de insumos e é referência para as cotações de commodities, incluindo as agrícolas.

"Quase tudo responde ao câmbio, em maior ou menor grau, mas tem alguns candidatos [principais], como os preços de combustíveis, alimentos e alguns bens duráveis. A gama é gigantesca", diz o economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence.

Ele subiu as projeções para o IPCA em 2026, de 5,18% para 5,31%, e em 2027, de 4,23% para 5%.

O economista afirma que a mudança na curva de câmbio puxou a revisão para cima, seguida pela possibilidade de efeitos mais intensos do El Niño sobre os preços.

Eventuais aumentos nos custos de parte dos setores com o fim da escala 6x1 e a reforma tributária são fatores de menor influência para a alteração nas estimativas, indica Romão.

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A meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) tem centro de 3%. O intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para menos ou para mais, o que significa piso de 1,5% e teto de 4,5%.

"Não é só uma inflação preocupante em 2026. Começa a ficar preocupante também para 2027", afirma Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados. Ele prevê altas de 5,2% para o IPCA em 2026 e de 4,5% em 2027.

Antes do desfecho das eleições, a inflação voltou a ser pressionada pelos preços altos da comida. Os alimentos subiram em meio à redução da oferta devido a problemas climáticos como as fortes chuvas no Sul e no Sudeste.

Segundo Vale, parte do quadro pode ser associada aos efeitos iniciais do El Niño. O evento é conhecido por mexer nas temperaturas e alterar a distribuição das chuvas, o que desafia a produção agropecuária.