A Copa do Mundo de 2026 ficará marcada pelo desprezo ao tão proclamado padrão Fifa, cujos parâmetros o Brasil conheceu quando recebeu o evento, em 2014.Se a Fifa (Federação Internacional de Futebol) exigiu nas últimas edições do Mundial investimentos d
A Copa do Mundo de 2026 ficará marcada pelo desprezo ao tão proclamado padrão Fifa, cujos parâmetros o Brasil conheceu quando recebeu o evento, em 2014.
Se a Fifa (Federação Internacional de Futebol) exigiu nas últimas edições do Mundial investimentos dos governos em estádios e infraestrutura, Canadá, Estados Unidos e México passaram quase ilesos no torneio deste ano.
Sede que mais recebeu jogos, os EUA trataram a Copa do Mundo como um torneio qualquer.
Pelas ruas das cidades, os jogos foram ignorados por boa parte dos americanos -o futebol não está entre as modalidades mais populares do país.
O alto custo afastou turistas e também um maior envolvimento da comunidade local, que se sentiu pouco atraída para prestigiar ou conhecer melhor o futebol.
Para a final, por exemplo, os ingressos mais baratos custam US$ 4 mil (cerca de R$ 20 mil) e têm provocado críticas de torcedores argentinos e espanhóis.
Argentina e Espanha decidem o título neste domingo, às 16h (horário de Brasília), em Nova Jersey.
Para receber os 104 jogos, Canadá, EUA e México não construíram nenhum estádio.
A Fifa escolheu 16 sedes para receber o torneio, com um investimento total entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões (entre R$ 7 e R$ 10 bilhões).
No Brasil, por exemplo, todos os 12 estádios foram construídos ou tiveram uma grande reforma para receber a competição em 2014.
A exigência da entidade máxima do futebol fez com que estádios históricos ou em melhor localização fossem preteridos por conta do padrão Fifa.
O verão norte-americano chegou a registrar temperaturas acima de 40ºC, com ondas de calor e até tempestades.
Para minimizar o problema, cinco estádios eram cobertos e climatizados: Dallas, Houston, Atlanta, Los Angeles e Vancouver (Canadá).
Os outros estádios eram abertos e ficaram expostos aos problemas climáticos. O jogo da França contra o Iraque, na Filadélfia, em 22 de junho, foi interrompido por conta do temporal que caiu na cidade.
O afrouxamento do padrão Fifa também aconteceu na acessibilidade dos estádios.
No Brasil, o Comitê Organizador Local exigiu que não houvesse nenhum ponto cego nos estádios.
Para atender aos requisitos, o Maracanã teve que derrubar sua arquibancada monumental em dois níveis para fazer uma contínua porque os lugares abaixo tinham pontos que não permitiam visão do gramado.
Já nos EUA, não houve exigência, o que provocou queixa de vários torcedores. Em Dallas, muitos não conseguiram ver as laterais do campo e tinham de acompanhar o jogo em um telão de 48x21 metros.
O transporte público foi o ponto mais delicado e ignorado pelo poder público durante a Copa do Mundo.
Além de não oferecer nenhum incentivo ao torcedor, os valores foram inflacionados. Quem quiser ir de metrô para a final no domingo terá de desembolsar US$ 98 (cerca R$ 500) por uma passagem que em dias normais é de US$ 13 (cerca de R$ 61).




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário