Os dois títulos mundiais conquistados por Fernando Pimenta na Polónia, em K1 1.000 e 5.000 metros, não apenas elevaram para impressionantes 187 as medalhas d...
De uma assentada, tornou-se o homem mais medalhado em mundiais na mítica prova de K1 1.000 masculino, com nove, e ainda no mais velho de sempre, com 37 anos, a ser campeão nesta disciplina, feitos que, curiosamente, também repetiu no K1 5.000.
"Ambicioso, determinado e consistente", explicou, em declarações à Lusa, o seu treinador de sempre, Hélio Lucas, que assume o "privilégio" de orientar toda a carreira do prodígio limiano.
Com quatro medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze, Pimenta tem agora nove medalhas em mundiais, deixando para trás o norueguês Knut Holmann – tem seis medalhas olímpicas, incluindo o ouro Atlanta1996 e Sydney2000 - com oito.
Pimenta , que tinha sido ouro em 2018, em Montemor-o-Velho, 2021 e 2023, foi agora campeão com 37 anos e 17 dias, batendo um recorde que resistia à 72 anos, do sueco Gert Fredriksson, que tinha conquistado o título de K1 1.000 nos Mundiais de 1954, em França, aos 34 anos, oito meses e quatro dias.
Paralelamente, fixou um novo recorde de consistência, pois os nove pódios foram conseguidos em nove edições consecutivas, desde 2015, quando foi bronze em Milão, sendo que o mundial teve um hiato devido à covid-19 e em 2024 o mesmo não incluiu distâncias olímpicas, disputadas em Paris2024.
Quanto ao K1 5.000, o alemão Max Hoff, outra lenda da modalidade, viu Pimenta ultrapassá-lo como recordista de medalhas, agora com sete, contra as seis do seu antecessor.
O australiano Ken Wallace era o mais velho a vencer esta distância, com 32 anos e 28 dias, mas Pimenta acrescentou cinco anos à nova marca, enquanto Max Hoff era o medalhado mais experiente, com 36 anos, 11 meses e 13 dias, registo que também caiu.
"Estou com o Pimenta desde os seus 13 anos. Recordo-me quando começámos, eu ainda era um jovem treinador, ouvia muita gente a dizer que o Fernandinho estava a ter muito bons resultados ainda muito cedo, que ia ter uma carreira curta… Fizemos um trabalho de qualidade e ele não tem tido lesões num percurso sempre muito constante", elogiou Hélio Lucas.
O treinador que agora acumula com o cargo de diretor técnico nacional da federação diz que um dos segredos da sua longevidade está na forma "mais inteligente de treinar, no trabalho de qualidade e aperfeiçoamento técnico e tático" que se revelaram decisivos na forma como venceu ambas as competições.
"Ele é bom a treinar, mas é excecional a competir!", afiança, revelando que o seu pupilo é viciado em competir, algo que lhe dá uma "energia contagiante".
O feito de Pimenta não poderia ter melhor cenário, já que Poznan é uma cidade com vários marcos históricos, entre os quais a sua primeira medalha mundial sénior, em 2010, em K2 500 metros com João Ribeiro.
Foi igualmente no Lago de Malta que fixou um feito inédito na modalidade, quando em 2022 conquistou quatro medalhas de ouro numa só Taça do Mundo.
"Acho que é o melhor desportista português da história, embora não vá entrar nesse tipo de discussão. É um atleta absolutamente extraordinário, revelando uma consistência e longevidade únicos ao mais alto nível internacional. Algo apenas ao alcance de uns quantos predestinados", elogiou o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Ricardo Machado.
Medalha de bronze em K1 1.000 em Tóquio2020 e de prata em Londres2012 em K2 1.000, com Emanuel Silva, a Fernando Pimenta só falta o ouro olímpico para acrescentar justiça a uma carreira desportiva quase ímpar, até a nível internacional.
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