Quando Shelby Harris, psicóloga do sono em Nova York, começa a trabalhar com pacientes que têm dificuldade para dormir, sempre pergunta se eles têm animais de estimação. "A primeira coisa que me dizem é: 'Tenho um cachorro. Você vai me mandar não dormir com ele'", conta. Leia mais (06/21/2026 - 18h00)
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21.jun.2026 às 18h00
Quando Shelby Harris, psicóloga do sono em Nova York, começa a trabalhar com pacientes que têm dificuldade para dormir, sempre pergunta se eles têm animais de estimação. "A primeira coisa que me dizem é: 'Tenho um cachorro. Você vai me mandar não dormir com ele'", conta.
Não necessariamente, diz Harris. Algumas pessoas sentem grande prazer em dormir com seus pets, e nem todo mundo sofre com interrupções no sono. Mas, se o animal for a fonte do problema, é bom saber disso.
Em uma pesquisa online com cerca de 2.000 adultos americanos publicada em 2022, quase metade disse dormir na mesma cama que o pet. Se você é um deles, mas não tem certeza se deveria ser, aqui estão alguns pontos a considerar.
Animais de estimação nos expõem a uma variedade de parasitas e bactérias, como carrapatos, pulgas e microorganismos, diz Josh Daniels, veterinário e microbiologista da Universidade Estadual do Colorado. Tê-los na cama só aumenta a exposição —e, em alguns casos, pode nos deixar doentes.
Em 1991, uma mulher de 81 anos foi hospitalizada na Finlândia com febre e sinais de infecção bacteriana na perna. Ela tinha uma úlcera entre os dedos dos pés e estava infectada por um tipo de bactéria comum na boca de cães e gatos. O hábito de dormir com a gata, que costumava lamber seus pés, foi apontado como possível causa.
Outro caso, publicado em 2000, descreveu um homem de 69 anos que dormia com o cachorro antes e após cirurgias no quadril e desenvolveu uma infecção no local da cirurgia, causada por bactéria transmitida por mordidas e arranhões de cães e gatos. Há ainda relatos de donos de cachorro que contraíram peste bubônica, transmissível por pulgas, após dormir com os animais.
Esses casos são raros. A menos que a pessoa seja suscetível a infecções ou tenha imunidade comprometida, o risco de adoecer por dormir com um pet é geralmente baixo, diz Bruno Chomel, professor emérito da Universidade da Califórnia em Davis.
Carrapatos e pulgas são os parasitas mais comuns aos quais as pessoas se expõem ao compartilhar a cama com um animal, diz Daniels —que dorme com o próprio cachorro. Por isso, é importante usar métodos de prevenção recomendados por um veterinário. Carrapatos podem transmitir doença de Lyme e outras doenças graves. A vermifugação de rotina também elimina parasitas intestinais potencialmente perigosos, como a lombriga.
Se o pet veio recentemente de um abrigo ou é filhote, fique atento a problemas de pele, alerta Daniels.
Na hora de decidir se vai dormir com o animal, diz Chomel, tudo depende do quanto você tolera o risco de adoecer —pequeno, mas real.
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O sono pode piorar —mas você pode não perceber Há poucas pesquisas sobre como dividir a cama com um pet afeta o sono, diz Brittany Lancaster, professora de psicologia clínica da Universidade Estadual do Mississippi. Mas alguns estudos limitados sugerem que pode piorar a qualidade do descanso.
Em um estudo de 2017, 40 donos de cachorro usaram monitores de atividade durante sete noites. Os pesquisadores descobriram que, quando o cão estava na cama, os participantes dormiam com menos eficiência do que quando o animal estava no quarto, mas não na cama.