Recursos do Eco Invest e linhas do BNDES buscam financiar mineração, processamento e tecnologia

Priorize VEJA no Google

O Brasil intensifica esforços para industrializar suas vastas reservas de minerais críticos, como terras raras, com R$ 7 bilhões do Tesouro via Eco Invest Brasil e apoio do BNDES. A Política Nacional visa agregar valor, reduzir a dependência externa e transformar o país em um player global de alta tecnologia.

Este resumo foi útil?

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

O Brasil vai ampliar o uso de recursos públicos para tentar transformar suas reservas de minerais críticos em uma cadeia industrial de maior valor agregado.

O Tesouro destinou R$ 7 bilhões à cadeia de minerais críticos no quinto leilão do Eco Invest Brasil, enquanto o BNDES colocou o setor entre as prioridades da nova etapa do programa Brasil Soberano.

A estratégia ocorre no momento em que países buscam reduzir a dependência de fornecedores concentrados, sobretudo da China, para matérias-primas utilizadas em veículos elétricos, baterias, equipamentos eletrônicos, turbinas e sistemas de defesa.

O movimento ganhou força nesta semana com a sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que estabelece como objetivos ampliar a pesquisa, a extração, o beneficiamento e a transformação desses recursos no país.

A lei também cria um conselho interministerial para definir projetos prioritários e prevê mecanismos de estímulo à industrialização.

O interesse brasileiro tem uma característica particular. O país possui uma das maiores reservas conhecidas de terras raras do planeta, mas sua participação na produção ainda é pequena.

A diferença entre o tamanho do recurso mineral e a capacidade de transformá-lo em produto industrial é justamente o principal desafio que os novos instrumentos de financiamento tentam enfrentar.

Minerais críticos são matérias-primas consideradas importantes para setores estratégicos e cujo fornecimento pode estar sujeito a riscos econômicos, tecnológicos ou geopolíticos.

A classificação varia de acordo com cada país e pode mudar conforme a tecnologia, a demanda e a disponibilidade de fornecedores.

Eles estão presentes em cadeias como veículos elétricos, baterias, geração e armazenamento de energia, eletrônicos, equipamentos médicos, defesa e indústria de alta tecnologia. A Agência Nacional de Mineração cita entre os minerais de interesse brasileiro elementos como lítio, níquel, cobre, grafita, nióbio e terras raras.

As terras raras, por sua vez, não são um único minério. O termo reúne 17 elementos químicos com propriedades específicas, utilizados em produtos que vão de smartphones e equipamentos médicos a motores elétricos e turbinas eólicas.

Apesar do nome, eles não são necessariamente raros na natureza. O problema é que normalmente aparecem dispersos e em concentrações que tornam sua extração e separação mais complexas.

O Brasil é apontado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos como detentor de cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, atrás apenas da China entre os países com reservas declaradas. A vantagem brasileira, porém, ainda não se converteu em produção proporcional.

Dados do USGS mostram que a produção brasileira de concentrado de terras raras ainda é pequena em relação à dos principais produtores.

Em 2024, a Serra Verde iniciou a produção comercial de concentrado misto de terras raras no depósito de Pela Ema, em Minaçu, Goiás.

A empresa projeta capacidade de cerca de 5.000 toneladas anuais de óxidos de terras raras quando a primeira fase atingir sua produção plena.

A dimensão do descompasso fica mais clara quando se observa a cadeia internacional. A China continua sendo o principal produtor e concentra grande parte das etapas de separação e processamento.

O resultado é que possuir reservas não garante capacidade de fabricar os ímãs, componentes e equipamentos que incorporam esses elementos.