O Brasil, apesar dos problemas, tem instituições testadas várias vezes desde o impeachment de 2016", diz Cassiana Fernandez do J.P.Morgan
"O Brasil, apesar dos problemas, tem instituições testadas várias vezes desde o impeachment de 2016", diz Cassiana Fernandez
14 de setembro de 2026
Francisco Carlos de Assis, Caroline Aragaki e Renata Pedini
Broadcast: O investidor está concentrado em pesquisas sobre a eleição à Presidência ou já olha para riscos institucionais além do resultado eleitoral?
Cassiana Fernandez: Há preocupação de curto prazo com a condução da política econômica, principalmente a fiscal. E há uma percepção, principalmente dos investidores, mais de médio prazo. Por exemplo, agência de risco, quando olha rating do País, sua capacidade de pagamento, tem uma percepção mais de médio e longo prazo, e as instituições são superimportantes em relação a isso. Na nossa visão, é difícil fazer essa diferenciação agora em relação ao resultado eleitoral e o quanto isso pode afetar investimentos de médio e longo prazo.
Broadcast: Quando vocês fazem o cenário do Brasil de médio e longo prazo, a harmonia entre as instituições pesa?
Fernandez: Sim. Para o médio e longo prazo, a qualidade das instituições é um ponto fundamental. O Brasil, apesar dos problemas, tem instituições testadas várias vezes desde o impeachment de 2016. Elas prevaleceram, se mostrando sólidas, com independência dos poderes. Isso sempre foi considerado um ponto positivo para a economia brasileira, principalmente quando comparado a outras economias emergentes.
Broadcast: A quais instituições, mais especificamente, a senhora se refere?
Broadcast: No curto prazo essa instabilidade afeta menos?
Fernandez: No curtíssimo prazo, para o investidor de mercado de capitais, que compra e vende em uma semana ou outra, isso não é o fator primordial, porque o evento central são as eleições.
Broadcast: Qual é o cenário central para atividade e os principais riscos em 2027?
Fernandez: O que mais preocupa é o alto endividamento de governo, famílias e empresas, num contexto de expectativas de inflação desancoradas, inflação corrente acima do teto da meta e diversos riscos de curto prazo. Há também o efeito do El Niño no fim do ano, que pode levar o BC a ser mais cauteloso na redução de juros. A atividade é uma grande preocupação.
Broadcast: Com que cenário o J.P. Morgan trabalha para atividade, inflação e juros?
Broadcast: No caso do dólar, tem a ver com a política monetária do Federal Reserve?
Broadcast: E se isso acontecer?
Fernandez: Seria muito preocupante se a expectativa de inflação não caísse: seria a estagflação, com atividade desacelerando e inflação resiliente. É o principal risco, embora não seja o cenário-base hoje.
Broadcast: Ouve-se que, independente de quem venha a vencer a eleição, 2027 será o ano do encontro com o ajuste fiscal.
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