Economistas debateram o futuro do Brasil e apontaram caminhos para abordar questões essenciais no Brasil no primeiro dia do IDP Debates
Com a aproximação das eleições de 2026, os debates sobre o futuro do país parecem cada vez mais necessários. Alguns temas, como a economia, são essenciais em debates para pensar um país mais justo, democrático e politicamente forte, como apontam especialistas.
Esse foi o tema central do primeiro dia do IDP Debates na manhã desta sexta-feira (21/8), uma iniciativa promovida pelo IDP em parceria com o Metrópoles que reúne em São Paulo alguns dos principais nomes do cenário público, econômico, acadêmico e cultural do Brasil para conversar sobre questões do presente e futuro do país.
ID Debates inicia nesta sexta-feira (21/8) com especialistas da economia para debater o futuro do Brasil
O encontro teve como mediadores João Bachur, professor e coordenador dos programas de Mestrado e Doutorado em Direito Constitucional do IDP.
O encontro também teve como mediador o cientista político Carlos Melo, professor do Insper
Como debatedor, o evento contou com a presença de Samuel Pessoa, pesquisador da FGV
A professora do Insper Zeina Latiff também participou do evento como debatedora
Economistas debatem futuro do Brasil para os próximos anos no primeiro dia do IDP Debates nesta sexta-feira (21/8) em São Paulo
O primeiro encontro, presencial e gratuito, teve como palco o IDP Faria Lima, na zona oeste da capital paulista, e abordou o tema “Brasil em Disputa: os Projetos de País para os Próximos Anos”. Os debatedores foram os economistas Zeina Latiff, professora do Insper e colunista de O Globo, e Samuel Pessoa, professor da FGV e colunista da Folha de S. Paulo, com moderação do cientista político e professor do Insper Carlos Melo e João Bachur, professor e coordenador programas de Mestrado e Doutorado em Direito Constitucional do IDP, além da jornalista Andreza Matais, colunista do Metrópoles.
Para o professor Pessoa, o debate para os próximos quatro anos no Brasil deve reconhecer que as escolhas de economia política nas últimas três décadas fez com que o país atingisse o limite da capacidade de entrega econômica para reduzir a pobreza apenas por meio de redistribuição compensatória.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP “O juros elevado no Brasil não é somente fruto de um erro operacional corrigível, mas de uma economia política complexa e enraizada em uma sociedade desigual, cujas demandas legítimas, frequentemente, superam a capacidade de entrega do próprio Estado. Precisamos aprender a gerir esse impasse com uma maturidade maior”, comentou.
Já a professora Zeina Latiff acredita que todas as discussões futuras do país convergem para uma só: a questão fiscal. Ela acredita que o Estado precisa voltar a ter a capacidade de cuidar do que é sua função primordial, como a saúde, a segurança e o bem-estar social e que hoje quase não é possível por conta das contas públicas.
“Se a macroeconomia está desarrumada, a inflação fica mais alta, os juros ficam mais altos e a própria eficácia de qualquer política social pública também é afetada. Para gerar esse ambiente mais saudável e também recuperar a capacidade estatal essas reformas precisam ser feitas”, disse.
Os professores apontaram que, apesar do cenário instável na política econômica nos últimos anos, o assunto tornou-se “mais didático” para a sociedade civil. Eles observaram que, hoje, temas como a taxa de juros, que antes era quase restrito aos profissionais da área, é agora uma pauta primordial para o cidadão brasileiro.
“Tem uma parte de todo esse cenário que é também didática, e podemos observar facilmente nas campanhas eleitorais deste ano que trazem o debate sobre o ajuste fiscal, ainda que sob diferentes pontos de vista. Um fala em ‘tesouraço’, outro fala gradualista. Ainda que seja tudo muito vago, o tema está posto ali”, afirma a professora Zeina.
No caminho para as eleições, Pessoa destacou que o consenso está sendo construído no entorno de um tema: os juros altos. “Isso está gerando um desconforto geral. A nossa função, como especialistas, é convencer a sociedade de que não existe uma saída fácil”, disse.
O professor explicou também que tudo se concentra no crescimento de gasto primário e que, se ele cresce mais do que o PIB potencial, a taxa de juro também crescerá.
Zeina Latiff avaliou, por fim, que um dos grandes problemas políticos do país no cenário atual é a falta de comunicação com a sociedade, com “uma política sendo falada para a política”. A professora acredita que quando são abordados temas tecnicamente mais complexos, como a reforma fiscal, eles são “terceirizados” pela sociedade aos formadores de opinião.
“Então, cabe às lideranças políticas ao menos abrirem esse debate. Eu acredito que essa falta de comunicação acontece em parte porque estamos vivendo com um objetivo final de ampliar a polarização. E esse fenômeno compromete o debate público e a saudável alternância do poder”, comentou a professora.
Por fim, quando questionados sobre os desafios históricos do país para o futuro, tanto Zeina quanto Pessoa apontaram que o Estado precisa retomar sua força política e voltar a cumprir bem sua função. Para isso, a discussão sobre a questão fiscal é essencial.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário