Nos ecos do Atletiba ouvem-se as comemorações dos coxas pelos 3 a 3. Brindam o empate como se esse fosse o limite na rivalidade com o Athletico. Não era assim no tempo de Jairo, Hermes, Cláudio Marques e Krüger. O empate era tratado como desprezível como é uma derrota. Mas o tempo passou e as coisas mudaram. [...]

Nos ecos do Atletiba, ouvem-se as comemorações dos coxas pelos 3 a 3. Brindam o empate como se esse fosse o limite na rivalidade com o Athletico. Não era assim no tempo de Jairo, Hermes, Cláudio Marques e Krüger. O empate era tratado como desprezível, como é uma derrota. Mas o tempo passou e as coisas mudaram. E agora, talvez, os coxas tenham razão: um empate é mesmo o limite na relação com o Furacão.   

Em um Atletiba excêntrico como foi esse jogado na água da chuva e na lama, com raios e trovões como se anunciasse o Apocalipse, em Curitiba, o que vai para a história é o fato provocado pelo acaso: os dois gols do herói improvável, o zagueiro Moledo, 39 anos, nos cinco minutos finais do jogo. 

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Não se sabe onde os historiadores irão colocá-lo em um lugar já ocupado pelo imortal Fedato e o extraordinário Gomes, capitão do título brasileiro de 1985. No futebol, sendo consequência de fatos que ocorreram ou deixaram de ocorrer, o acaso pode ser evitado. Bem escreveu Machado de Assis, no seu conto “Singular Ocorrência”: “O acaso é um deus e um diabo ao mesmo tempo”.

No caso, o acaso entrou em campo no Atletiba, aos 20 minutos do segundo tempo, quando o artilheiro Viveros foi substituído. O treinador atleticano Odair Hellmann foi apressado demais, pois embora o Athletico já ganhasse de 3 a 1, havia muito jogo para ser jogado. 

Viveros não deixava o Coritiba sair para o ataque. Azucrinando os coxas pelos lados e pelo meio, no peito e na velocidade, o artilheiro do Brasileirão mantinha o Furacão no seu campo de ataque. Com a saída do colombiano, o jogo mudou para os coxas.

Sem preocupar-se com o artilheiro do Brasileirão, o Coritiba avançou todas as suas linhas, empurrou o Athletico para trás, e por escanteios e faltas, com Josué criou as jogadas para o acaso de nome Moledo.

Por que Odair excluiu Viveros faltando 30 minutos para o jogo terminar? Das duas, uma: O camisa 9 estava com o segundo amarelo e poderia ser expulso; ou, desprezou a essência do Atletiba, que dá forças para qualquer time sair do desconforto da derrota.

Seja o que for, errou, introduzindo o acaso como elemento de decisão do jogo. E contra uma zaga que toma três gols por jogo, o acaso teria mesmo que se divertir.

Há mais de quatro décadas, o jornalista Augusto Mafuz interpreta como poucos a alma do povo atleticano em crônicas diárias movidas por loucura, conflito e emoção. A frase de um velho dito entre torcedores resume sua importância: quando estourava uma crise no Athletico, a saída era “ler o Mafuz para saber o que a gente está pensando sobre isso”.

Mafuz Antonio Abrão nasceu em Guarapuava, em 11 de maio de 1949, três dias antes da primeira das 11 vitórias consecutivas do Furacão. Chegou a Curitiba aos 17 anos e bateu à porta da Rádio Guairacá. Em 1968, iniciou como repórter de campo e, dois anos depois, escreveu textos históricos sobre o título do Athletico na Tribuna do Paraná, onde é colunista desde 1977.

Augusto Mafuz Colunista

Um dos comentaristas esportivos mais tradicionais de Curitiba, conhecido por sua cobertura do Athletico, Coritiba e outros times da capital. Nascido em Guarapuava em 11 de maio de 1949, Mafuz é figura central no jornalismo esportivo local por décadas por causa de seu texto apurado e opinões contundentes.

No Atletiba, a profecia com Rodrigo Moledo deu ao contrário