Ganhou repercussão a recente manifestação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no sentido de autorizar a devolução ao Paraguai do canhão El Cristiano, peça de artilharia de cerca de 12 toneladas e 2,94 metros de comprimento, capturada pelas …

Ganhou repercussão a recente manifestação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no sentido de autorizar a devolução ao Paraguai do canhão El Cristiano, peça de artilharia de cerca de 12 toneladas e 2,94 metros de comprimento, capturada pelas forças brasileiras durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) e hoje exposta no Pátio Epitácio Pessoa — o pátio dos Canhões — do Museu Histórico Nacional (MHN), no Rio de Janeiro.

O nome decorre de ter sido a peça fundida com o bronze de sinos de igrejas paraguaias, trazendo, nas laterais, entre outras inscrições, a expressão “La Religión al Estado“. Segundo pesquisa do historiador Adler Homero Fonseca de Castro [1], especialista em artilharia vinculado ao Iphan, o obuseiro foi fundido em 1867, guarneceu a posição de Curupaiti e, em seguida, a Bateria Londres, principal defesa da Fortaleza de Humaitá. Quando esta se rendeu, em 1868, os paraguaios lançaram a peça ao rio para não entregá-la ao inimigo. Recuperado, o canhão coube ao Brasil na divisão dos espólios, conforme ata publicada nas notas do Barão do Rio Branco, ao lado do Acá Verá e do Criollo, hoje em Assunção. Em 1922, com a criação do MHN, El Cristiano passou a integrar o seu acervo.