Segundo Olga Rudenko, população da Ucrânia compreende que um pleito durante a guerra colocaria em risco a segurança do país

Segundo Olga Rudenko, população da Ucrânia compreende que um pleito durante a guerra colocaria em risco a segurança do país

Reprodução/X @ZelenskyyUa - 4.jul.2026

Maria Eduarda Lourenço

de Brasília 20.set.2026 (domingo) - 5h00 Priorize o Poder no Google

A guerra na Ucrânia já dura mais de 4 anos sem previsão de um acordo de paz. Durante este tempo, o país deveria ter realizado eleições tanto para o parlamento –há cerca de 2 anos e meio– quanto para a presidência –há 2 anos.

Por causa do conflito, ambos os pleitos foram adiados por tempo indeterminado, já que a Constituição ucraniana proíbe a realização de eleições em períodos de instauração da lei marcial. Dessa forma, o presidente Volodymyr Zelensky (Servo do Povo, centro) segue no poder.

Em entrevista ao Poder360, a jornalista ucraniana Olga Rudenko, editora-chefe do The Kyiv Independent, relatou que seus conterrâneos concordam que é melhor esperar o mínimo de estabilidade para ir às urnas.

“Eu não diria que os ucranianos estão buscando ativamente uma eleição. A maioria das pessoas entende o motivo de não termos eleições e compreende os riscos que uma eleição traria para a segurança do Estado durante a guerra. Na maior parte do tempo, o consenso tem sido de que precisamos de um acordo de paz ou, no mínimo, de um cessar-fogo estável para que uma eleição ocorra”, afirma Olga.

A Ucrânia é uma república semipresidencialista com mandato de 5 anos para todos os cargos. O presidente (chefe de Estado) pode ser reeleito uma vez só de forma consecutiva.

O Parlamento unicameral (Verkhovna Rada) tem 450 membros. O voto é facultativo, e todos os cidadãos ucranianos maiores de 18 anos têm direito a ele.

Uma pesquisa realizada pelo KIIS (Instituto Internacional de Sociologia de Kiev) de 20 de julho a 3 de agosto mostrou que:

A pouca adesão dos ucranianos à vontade de realizar novas eleições pode não ser somente pelo medo da guerra, mas também pela confiança que demonstram em Volodymyr Zelensky. De acordo com outra pesquisa do KIIS, de 21 de agosto a 10 de setembro, 54% agora confiam em Zelensky, enquanto 41% não confiam. A título de comparação, um levantamento de julho de 2026 do canal israelense Keshet 12 mostrou que apenas 38% dos israelenses confiam no primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra 60% que não confiam.