Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury criticaram os ausentes e discutiram segurança, trabalho, educação e economia no debate da TV Band

O primeiro debate entre candidatos à Presidência nas eleições de 2026 terminou neste domingo (23) com metade dos convidados fora do estúdio e três púlpitos vazios atravessando boa parte da discussão. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não participaram. Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) estiveram no palco.

As ausências foram lembradas desde as primeiras respostas até a reta final e acabaram provocando um debate dentro do próprio debate: Caiado defendeu que candidatos sejam obrigados por lei a participar desses encontros, proposta apoiada por Renan. O próximo confronto presidencial previsto no calendário ocorre em 14 de setembro, em um pool formado por CNN Brasil, SBT e Veja.

A Band havia convidado seis candidatos. Na abertura do programa, a apresentadora Adriana Araújo informou que Lula, Flávio e Zema tiveram representantes nas reuniões preparatórias, mas decidiram não comparecer. As bancadas reservadas aos três permaneceram vazias durante a transmissão, conforme havia sido acertado previamente com as campanhas.

Lula e Flávio, primeiro e segundo colocados na pesquisa Datafolha divulgada nesta semana,  receberam a maior parte das críticas. O levantamento mostrou o petista com 39% das intenções de voto e o candidato do PL com 33%.

Segundo informações divulgadas antes do debate, Lula alegou falta de igualdade nas condições definidas para o encontro. Flávio optou por não participar sem a presença do presidente. Zema afirmou que a mudança da data do debate havia sido feita para favorecer a participação de Lula e que, com a ausência do petista, a alteração perdeu a razão.

Augusto Cury quase aumentou a lista de ausentes. Pouco antes do início, ele anunciou do lado de fora da emissora que não participaria em protesto contra a falta de Lula e Flávio. Minutos depois, recuou e entrou no estúdio.

A ausência dos adversários apareceu logo nas primeiras respostas.

Questionado sobre segurança pública, Renan Santos deixou o tema da pergunta por alguns segundos para atacar Lula e Flávio. Chamou os dois de “covardes” por não terem comparecido e fez acusações relacionadas a casos que envolvem pessoas próximas aos candidatos.

Caiado também abriu sua primeira resposta cobrando os ausentes. Disse que a sociedade esperava a presença dos candidatos e classificou a decisão como uma “fuga”. Antes mesmo de entrar no estúdio, já havia chamado os adversários que faltariam de “fujões”.

Cury seguiu o mesmo caminho. Ao receber uma pergunta sobre educação, olhou para a câmera e se dirigiu diretamente ao presidente.

A cobrança voltou em outro momento. Durante uma discussão sobre a escala de trabalho 6x1, Cury citou a entrevista concedida pelo presidente à Record, exibida no mesmo horário do debate, e chamou a situação de “desrespeito com a democracia”.

Houve até uma tentativa de Renan de incluir um ausente em um confronto direto.

Quando recebeu o direito de escolher um adversário para fazer uma pergunta, respondeu: “Pro candidato Lula”. A apresentadora interveio e explicou que o confronto precisava ocorrer com alguém presente no estúdio. Renan então direcionou a pergunta a Augusto Cury.

Mais tarde, foi Caiado quem transformou as faltas em proposta.

Ao perguntar a Renan, o candidato do PSD disse que pretende enviar ao Congresso, caso seja eleito, uma regra para obrigar candidatos registrados a comparecerem a debates eleitorais. Renan apoiou e disse que parlamentares dos dois partidos poderiam começar a discutir a proposta antes mesmo da eleição.

Fora das cobranças aos ausentes, segurança pública foi um dos assuntos mais presentes na noite.

Renan Santos defendeu  estado de defesa e operações de Garantia da Lei e da Ordem em áreas controladas por organizações criminosas. Também falou em construir superpresídios e intervir em estados que, segundo ele, não atuarem contra as facções.

Mais tarde, endureceu o discurso.

Ao falar sobre o que faria no início de um eventual governo, Renan declarou que promoveria um “banho de sangue contra os membros das facções”. Disse que forças federais e estaduais seriam usadas para retomar áreas controladas pelo crime no Rio de Janeiro, Ceará e Bahia.

Em outra frase, disse que policiais atuariam “como se não houvesse amanhã” contra criminosos que reagissem às operações. As declarações também foram registradas após o debate.