Tudo muda muito rápido no cenário eleitoral. Os analistas de política, diz Jairo Nicolau , são um pouco como os comentaristas de futebol: especulam sobre o que vai acontecer e, às vezes, precisam voltar atrás. Leia mais (06/27/2026 - 07h00)
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Eduardo Sombini Doutor em geografia pela Unicamp, é repórter da Ilustríssima
Tudo muda muito rápido no cenário eleitoral. Os analistas de política, diz Jairo Nicolau, são um pouco como os comentaristas de futebol: especulam sobre o que vai acontecer e, às vezes, precisam voltar atrás.
O seu novo livro, "O País Dividido" (Zahar), não escapou totalmente dessa armadilha. O pesquisador diz que, quando entregou o original para a editora, via uma possibilidade de arrefecimento da polarização nas eleições deste ano, algo que agora parece distante em uma disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
No entanto, em vez de se concentrar na conjuntura eleitoral que muda o tempo todo, a obra tem outro espírito. Jairo, professor titular do CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), documenta as mudanças demográficas do país e as transformações da base social do PT e da direita entre 2002 e 2022, se debruçando sobre o segundo turno das eleições presidenciais.
O trabalho ilumina questões essenciais para entender a evolução do voto no Brasil nas últimas duas décadas. Em relação às disputas de 2018 e 2022, o cientista político mostra a força de Fernando Haddad e de Lula entre as mulheres pretas e pardas, o apoio maciço de homens brancos e escolarizados a Jair Bolsonaro e a consolidação do eleitorado com ensino médio como bastião da direita e da extrema direita.
Nesta entrevista, o autor fala sobre as tendências da polarização política no Brasil e, a partir dos movimentos que analisa no livro, diz que as mulheres, as pessoas com ensino médio e os paulistas devem definir quem vai ser o próximo presidente —mas reconhece que isso envolve um tanto de especulação.
Entre os partidos de esquerda do mundo, o padrão de votação do PT é singular. No Reino Unido, o Partido Trabalhista é mais votado nas cidades universitárias, em Londres e nas cidades operárias. A mesma coisa acontece com o Partido Democrata americano. Quando a gente acompanha as apurações nas grandes cidades, está lá o Partido Democrata vencendo. Quando abrem as pequenas cidades e os redutos, a gente começa a ver o vermelho —lá, a cor da direita é vermelha. Trump é vitorioso nas pequenas cidades do interior e nas regiões agrárias, enquanto aqui no Brasil é o contrário. Jair Bolsonaro, nas duas eleições, foi sobretudo um fenômeno metropolitano e urbano
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O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.
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Já participaram do Ilustríssima Conversa Paula Sibilia, ensaísta que discute o solo moral das sociedades contemporâneas, Adriana Negreiros, biógrafa de Dercy Gonçalves, Benjamin Moser, autor de livro sobre os grandes pintores holandeses, João Paulo Charleaux, jornalista que examina a história do direito de guerra, Rita Carelli, que conta a história de um missionário assassinado na amazônia e do povo indígena enawenê-nawê, Uirá Machado, biógrafo do enxadrista Mequinho, Vladimir Safatle, filósofo que analisa a emergência do fascismo no mundo contemporâneo, Elvia Bezerra, pesquisadora da obra de Manuel Bandeira, Leonardo Avritzer, para quem Bolsonaro tentou dar um golpe de Estado no fim do seu mandato, o arquiteto Gabriel Weber, autor de livro sobre a chamada linha do inferno do Rio de Janeiro, entre outros convidados.
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