No Maria Vai com os Outros, atriz e poeta afirma que se sente 'eleita' por quem a acompanha e diz que a TV ainda não tem mulheres negras de 68 anos no ar.

Ouvir1×0.5×0.75×1×1.25×1.5×1.75×2×Elisa Lucinda afirma que tem "uma responsabilidade política" com a própria carreira e que se sente "eleita" enquanto houver alguém que a ouça, no Maria Vai com os Outros, do Canal UOL.

Ao falar sobre a trajetória na televisão, a atriz e poeta diz que construiu uma imagem pública ligada ao que pensa e avalia que isso influencia os convites que recebe e os papéis que aceita.

Eu me sinto com uma responsabilidade política com a minha carreira. É assim: enquanto houver um fã, alguém que ouve o que eu digo, eu tenho responsabilidade, eu tô eleita. Eu tenho um mandato ali, sabe? Então, eu influencio. Se eu fumar, se eu... Eu influencio as pessoas, sabe? O que que eu digo? As pessoas querem saber o que eu penso... Sabe? Então, isso é um compromisso.Elisa Lucinda

Lucinda diz que, ao longo da vida, evitou ficar restrita a estereótipos na TV e que teve "bons papéis", apesar de ter sido, em muitas produções, a única pessoa negra entre elencos majoritariamente brancos.

Para ela, o fato de o público conhecer suas posições também pesa na hora dos convites. "As pessoas sabem quando me convidam. Quem é que estão convidando para fazer aquele trabalho", afirma.

Ela avalia que vive um momento de "fruto de uma lavoura" que ajudou a construir, mas ressalta que ainda há um vazio geracional na representação de pessoas negras mais velhas na televisão.

Gente da minha geração na televisão agora, no ar, não tem nenhuma negra de 68 anos. Homem negro, velho, no ar, não vê.Elisa Lucinda

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