Artista diz que Brasil é um dos melhores países e que queria dizer adeus a amigos e fãs

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Elton John se aposentou das grandes turnês em 2023, quando chegou ao fim sua excursão "Farewell Yellow Brick Road". Mas sentiu que uma tina dívida com o Brasil, já que não o incluiu o país —e toda América Latina— nesse giro de despedida.

Ele pagou o débito na noite desta segunda-feira (7), quando foi a atração principal do quarto dia do Rock in Rio 2026. Na mesma data, o lineup teve também Luisa Sonza, Roupa Nova, Jon Batiste, Péricles e Laufey.

A exemplo de Gilberto Gil, que cantou antes de Elton John no palco Mundo, o maior do festival carioca, o show foi todo tomado por uma aura de despedida. Todo mundo no Parque Olímpico, onde acontece o Rock in Rio, sabia que era a última chance de vê-lo no Brasil.

No palco, contudo, Elton não soou como um ex-músico em atividade. O britânico não cai mais na estrada como antigamente, mas faz shows esporádicos pelo mundo, e mostrou que ainda consegue segurar uma plateia de dezenas de milhares de pessoas.

Fez isso apesar de suas limitações físicas. O cantor sofreu uma infecção ocular e perdeu a visão do olho direito há dois anos. Também tem problemas para enxergar com o olho esquerdo. Era perceptível sua dificuldade de se comunicar com os músicos de sua banda no palco.

Sua voz também não tem a mesma potência e profundidade de outros tempos. No começo, ela demorou a esquentar —e em alguns momentos chegou a falhar.

Em "Bennie and the Jets", a segunda tocada da setlist, ele já estava devidamente aquecido, assim como o público, que cantou junto nos hits e manteve os olhos vidrados no palco o show todo, aplaudindo firme ao fim de cada canção.

Deu para ver que Elton John não saiu de casa à toa. Ele fez um show dedicado, de entrega, como se estivesse concentrando as energias que antes despendia noite após noite nos palcos para situações especiais como a noite no Rock in Rio.

O repertório foi quase todo dos clássicos que todo mundo quer ouvir, muitos deles presentes no disco "Goodbye Yellow Brick Road", seu mais celebrado, de 1973, como as que abriram o show "Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding". Também como "Candle in the Wind" e a faixa-título, tocadas em sequência lá pela metade da apresentação, num dos momentos mais bonitos.

Elton John mostrou no palco do Rock in Rio porque está em uma lista bastante seleta de pessoas com habilidade rara na frente de um piano e um microfone. Isso ficou claro nas baladas, mas também quando ele passesou o dedo pelo instrumento em jams divertidas, como na versão alongada do hit "Rocket Man" e na fatia mais de rock clássica do repertório.

Os truques de Elton John não são novidade para os brasileiros. Esta é sua oitava vinda ao país, desde a primeira na década de 1990, sendo a terceira vez no Rock in Rio —depois de shows no festival em 2011 e 2015.

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Deve ser pelo conhecimento de Rio de Janeiro que o britânico estranhou o clima de 17°C na capital carioca —ainda que neste domingo tenha chovido bem menos do que na véspera. "Está tão frio!", ele disse, em uma das poucas interações com o público.