Durante dez dias consecutivos, no fim de 1995, o telescópio espacial foi apontado para uma minúscula região aparentemente desinteressante perto da Ursa Maior. A aposta parecia arriscada, mas o Hubble Deep Field transformou aquele pequeno pedaço escuro do céu em uma janela repleta de milhares de galáxias distantes. Por que o Hubble Deep Field foi... The post Em 1995, o Hubble ficou 10 dias olhando para um ponto aparentemente vazio do céu, fez 342 exposições e revelou cerca de 3.

A aposta de observar uma minúscula região aparentemente vazia revelou milhares de galáxias e inaugurou uma nova era de imagens do Universo profundo

O Hubble Deep Field transformou um ponto aparentemente vazio do céu em uma visão impressionante repleta de galáxias extremamente distantes Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR

Durante dez dias consecutivos, no fim de 1995, o telescópio espacial foi apontado para uma minúscula região aparentemente desinteressante perto da Ursa Maior. A aposta parecia arriscada, mas o Hubble Deep Field transformou aquele pequeno pedaço escuro do céu em uma janela repleta de milhares de galáxias distantes.

A área foi escolhida justamente por apresentar poucas estrelas próximas e nenhum grande aglomerado de galáxias que pudesse atrapalhar a visão de objetos muito mais distantes. Ela fica perto da Ursa Maior e longe do plano mais congestionado da Via Láctea, funcionando como uma espécie de pequena janela para o Universo profundo.

A decisão também envolvia risco científico. Tempo de observação no Hubble era extremamente disputado, e dedicar tantos dias a uma região sem alvo conhecido poderia terminar praticamente sem resultado. O então diretor do Space Telescope Science Institute, Robert Williams, apoiou a experiência exatamente para descobrir o que apareceria quando o telescópio simplesmente acumulasse luz por muito mais tempo.

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As observações foram realizadas entre 18 e 28 de dezembro de 1995 com a Wide Field and Planetary Camera 2. Em vez de uma única fotografia contínua, o Hubble produziu 342 exposições em diferentes filtros, acumulando mais de 100 horas efetivas de observação.

O processo envolveu diferentes etapas.

O vídeo abaixo, da Vox, explica diretamente a criação da imagem e traz Robert Williams relatando por que decidiu arriscar tempo valioso do telescópio em uma região onde ninguém sabia exatamente o que seria encontrado.

Quando a imagem foi divulgada em 1996, estimativas iniciais falavam em pelo menos 1.500 galáxias. Análises posteriores elevaram esse número para aproximadamente 3.000 objetos, razão pela qual esse é atualmente o valor apresentado pela NASA e pela ESA ao descrever o primeiro campo profundo.

Quase tudo na imagem é uma galáxia distante, e não uma estrela da Via Láctea. Muitos desses objetos são bilhões de vezes mais fracos do que aquilo que o olho humano consegue enxergar, permanecendo invisíveis até mesmo em levantamentos anteriores realizados com grandes telescópios terrestres.

A luz precisa de tempo para viajar. Portanto, quando um telescópio registra uma galáxia extremamente distante, ele não mostra como ela é hoje, mas como era quando aquela luz iniciou sua jornada até nós. No campo profundo, algumas galáxias aparecem em fases muito antigas de sua evolução.

Isso permitiu comparar objetos em diferentes épocas cósmicas dentro da mesma imagem. Galáxias muito distantes apareceram frequentemente menores e mais irregulares do que grandes espirais e elípticas próximas, fornecendo evidências importantes para estudos sobre como esses sistemas se formaram e cresceram ao longo do tempo.

A intenção era justamente evitar uma região excepcional. Os astrônomos procuraram uma área aparentemente comum e pouco congestionada, sem grandes estruturas próximas dominando a observação. Por isso, o resultado sugeriu que milhares de galáxias poderiam estar escondidas até mesmo em pequenos trechos aparentemente vazios do céu.

A escala é especialmente impressionante porque o campo observado ocupa apenas uma fração minúscula do céu. A NASA descreve o Hubble Deep Field como uma espécie de amostra profunda do Universo, construída ao concentrar durante dias a capacidade do telescópio em uma única direção.

O sucesso demonstrou que longas exposições poderiam revelar populações inteiras de galáxias antes invisíveis. Em 1998 veio o Hubble Deep Field South, seguido posteriormente por projetos ainda mais profundos, como o Hubble Ultra Deep Field, que ampliaram a exploração das primeiras fases da evolução galáctica.

A grande descoberta de 1995 não foi simplesmente encontrar “algo” em um ponto vazio. Foi mostrar quanto permanece escondido quando observações convencionais não acumulam luz suficiente. As 342 exposições transformaram uma pequena área escura perto da Ursa Maior em uma imagem que mudou a forma como astrônomos passaram a investigar o Universo distante.