Mendonça Filho (PL), candidato ao Senado, participou de sabatina na Fiepe, nesta terça (8) - Arthur Botelho/Folha de Pernambuco O candidato Mendonça Filho (PL) foi o primeiro a ser sabatinado no evento “Diálogo da Indústria com candidatos ao Senado”, promovido nesta terça-feira (8), na Casa da Indústria, sede da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), no bairro de Santo Amaro, na região central do Recife. O encontro foi mediado pelo jornalista Aldo Vilela, com transmissão da rádio CBN. Com a ausência dos candidatos Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), que alegaram conflito de agenda com outros compromissos de campanha, participam da sabatina da Fiepe, ao longo do dia, Mendonça Filho (PL), Marília Arraes (PDT), Humberto Costa (PT) e Paulo Rubem Santiago (PSOL). 

“Insegurança jurídica” no STF Antes de responder os questionamentos de representantes da indústria pernambucana, Mendonça comentou sobre os embates entre integrantes do Supremo Tribunal Federal. “O Brasil hoje vive uma crise institucional séria. (...) Isso representa insegurança jurídica. Quando os poderosos de plantão não respeitam a Constituição, evidentemente você está quebrando o pacto social estabelecido em convivência harmônica em todas as pessoas”, avaliou. “Se a Constituição vale para um trabalhador, para um advogado de caso, tem que valer para o ministro de Estado, para o deputado federal, para o senador da República, para o presidente da República e para o ministro de Estado”, disse o candidato. “Acho até que a gente deveria ter uma proposta, que eu pretendo apresentar, de mudar o nome do Supremo Tribunal Federal. Tem que mudar para, sei lá, Corte Constitucional do Brasil, porque quando falam em Supremo, o cara se acha mais importante que Deus”, comentou.

O candidato afirmou que não vai hesitar em votar pelo impeachment de membros do STF, caso eleito. “Não vou ser senador da República para ficar ajoelhado diante de quem quer que seja, muito menos o ministro supremo do Tribunal Federal. Não estou aqui ameaçando ninguém, mas vou cumprir minhas obrigações”, declarou. “Se tiver de tirar o ministro supremo do Tribunal Federal, pode ter certeza que eu tirarei uma maior tranquilidade, garantindo a ampla defesa, o devido processo legal”, destacou. “A gente precisa ter um supremo isento, um supremo independente, um supremo distante da política do dia-a-dia. Mas parecem comentaristas políticos e políticos sem voto no que propriamente o ministro de estado”, criticou o candidato.

“Se o congresso derruba o IOF, o Supremo vai lá com uma canetada de um ministro Supremo, desmoraliza quase 400 deputados e passa por cima. Alexandre, ‘o Todo Poderoso’ derruba a decisão monocraticamente. Para mim isso é desrespeito à democracia e à instituição Congresso Nacional. Eu terei peito, eu terei coragem de ter independência para não perseguir quem quer que seja, mas para atuar com a tradição pernambucana, ser uma voz respeitada no Brasil e defendendo os valores democráticos e institucionais”, prometeu. Afastamento do diretor da PF Mendonça Filho comentou a decisão do ministro André Mendonça que determinou, nesta terça-feira (8), o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. 

“Tem alguma coisa errada no Brasil, o diretor geral da Polícia Federal mandar investigar o ministro de estado, eu diria sem ordem judicial, é como se, por ventura, a Polícia Federal fosse um aparelho de um partido político. O Brasil tem instituições que são instituições de estado, o estado representa o povo brasileiro, a sociedade brasileira, independentemente da minha ideologia, da minha linha de pensamento político”, frisou. Apresentação Em sua fala inicial, Mendonça refletiu sobre a importância de debates como o promovido pela Fiepe para a escolha dos candidatos ao Senado. “É uma oportunidade de debater e conversar. É o que faz com que o eleitor possa decidir com mais tranquilidade. Às vezes, as pessoas desprezam o processo eleitoral em geral, o cargo do senador (...) e o problema daqueles que abominam e que condenam a política é que eles serão condenados a serem governados por políticos, independentemente de participarem ou não”, refletiu Mendonça. O candidato detalhou um pouco da sua trajetória na política. “Sou uma pessoa que tem um histórico, 40 anos de vida pública, não tenho um processo, ocupei cargos muito relevantes como governador do estado e vice-governador. Impactei diretamente a vida das pessoas com projetos que mudaram para melhor a vida de muitos pernambucanos e que se espalharam para o Brasil como o da Escola de Ensino Médio Integral, que hoje é uma política nacional, protege os jovens, protege a juventude atitude e gera melhor qualidade em termos de educação”.   

Na área da saúde, Mendonça citou sua atuação parlamentar com emendas destinadas a instituições pernambucanas como o Procape, a Fundação Altino Ventura, o Hospital do Câncer, o Imip e o Instituto do Fígado. “Quero ampliar essa iniciativa, ampliar a minha participação também na área de infraestrutura, apoiando o governo Raquel Lyra, que eu defendo, tenho reiterado isso desde o primeiro dia do seu mandato. Minha relação com ela é uma relação de confiança fraterna, acredito nela, confio nela, é uma pessoa séria, competente, dedicada e eu como senador serei um elo importante em Brasília. Não chegarei lá para passear ou me acomodar. Serei como sempre fui e todas os mandatos que ocupei, uma pessoa ativa”,  prometeu. Atuação institucional Sobre o assunto das relações institucionais, Mendonça destacou seu histórico de atuação republicana. "Nunca tive dificuldade de estabelecer parcerias, fui ministro da Educação e pode perguntar ao pernambucano que foi prefeito na minha época, se teve um perseguido. Fiz convênio e apoios a diversos municípios, inclusive municípios governados pelo PT, citaria Luiz Aroldo em Águas Belas, o Luciano Duque que era o prefeito de Serra Talhada na época, sempre atuando de forma cooperativa. Eu acho que a gente tem condição de atuar dessa forma de forma de forma democrática, plural e ampla e vai ser a linha da minha atuação como senador da República", disse.

Tema 1: Acesso ao crédito  "Vou lutar de forma muito forte e presente para que a gente possa manter a política de crédito mais favorável nas regiões menos desenvolvidas, como é o caso do Nordeste. Nesse aspecto o FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) cumpre uma missão muito importante, que é justamente de garantir acesso ao crédito de investimento de médio e longo prazo, eu diria, mais pujante por meio do do Banco do Nordeste", comentou o candidato. Mendonça também cobrou uma maior participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social na nossa região. "O BNDES é um banco, pode-se dizer, nacional, mas uma presença muito limitada no Nordeste. Eu acho que a gente precisa considerar o BNDES mais presente na realidade de Pernambuco e do Nordeste. E para isso, creio que como senador da República, posso e devo exercer a pressão necessária para que o BNDES tenha essa maior presença em termos de oferta de crédito diferenciado para a indústria e para o empreendedorismo regional e pernambucano em especial", prometeu.

"Para que a gente possa ter capacidade para investimento, o estado tem que parar de sugar dinheiro da nossa sociedade. O estado hoje vive numa numa ciranda alimentando os rentistas, que tem dinheiro no banco guardado, hoje é muito mais interessante manter o dinheiro no banco do que propriamente investir em qualquer coisa, em imóveis, ou em indústria, ou em empreendimento", avaliou. Quem é que vai empreender, gerar risco para si próprio? Então, essa ciranda só pode parar se, por ventura, a gente equilibrar o orçamento público. Se a gente equilibrar receita com despesa", destacou. "O atual governo teve condições de fazer isso. Só que o PT entende, desde sempre, desde o governo Dilma, que gasto é vida", mas gasto sem fim, nada se sustenta na vida. Se fosse assim, era muito simples você resolver o problema de subdesenvolvimento de qualquer país. Bastava imprimir dinheiro, que você tava resolvendo o problema da fome, da miséria e da das dificuldades. Então, tem que se ter um equilíbrio entre receita e despesa. A taxa de juros cairá automaticamente, beneficiando toda a economia. Já houve isso no governo Temer, quando nós vivemos a menor taxa de juros da economia nos últimos anos, que foi possível a partir do marco fiscal que ele conseguiu construir, do arcabouço fiscal, sem que isso sacrifique nenhuma política pública de educação, saúde e segurança social", concluiu.

Tema 2 : Pesquisa e inovação "O Porto Digital nasceu no governo de Jarbas, sob minha coordenação como vice-governador de Pernambuco. É um um dos maiores polos de tecnologia da informação e comunicação do Brasil, e pode se dizer da América Latina. E tudo hoje tem a ver com tecnologia da informação, inteligência artificial. Cada vez mais a indústria está conectada com esse mundo novo e importante. Então você precisa cuidar, primeiro para preparar os jovens para essa nova realidade. E aí a educação precisa, desde o Ensino Fundamental, passando pelo Médio, estar totalmente conectada com essa esse tipo de informação", lembrou o candidato. Mecitoudonça elencou instituições que precisam ser mais incentivadas. "Exemplifico a partir da educação do próprio do próprio sistema Fiepe/Sesi/Senai também, que tem ali uma grande presença no parque dedicado a essa matriz que conecta a as novas tecnologias com a educação formal mais eu diria tradicional. E contará com meu apoio, a gente precisa apoiá-lo, o Sistema S para que diversas possibilidades, as instituições de fomento à inovação, como o Fiepe, que atua financiando a inovação, precisa ter apoio e recursos garantidos na parte do orçamento eh geral da União, para que a gente possa financiar a inovação", disse.

"A gente tem até um volume de recursos - se você comparar outras nações do mundo - razoável para a área da ciência e tecnologia, mas cada um meio que planeja a sua atuação a partir da sua própria vontade, sem ter uma integração entre as instituições federais, as instituições estaduais, que hoje cada vez mais estão presentes também no fomento à inovação, ao investimento em atividades que possam potencializar o setor produtivo. Então, eu pessoalmente buscaria atuar eh fazendo com que a gente conecte esse mundo. E no aspecto da economia pernambucana, que você precisa observar são as vocações naturais, daqueles polos eh já existem e têm um potencial de exportação", detatalhou o candidato.

Tema 3: Reforma Tributária Questionado sobre a Reforma TRibutária, o candidato demonstrou preocupação com seu impacto na indústria pernambucana. "Embora a reforma tributária tenha sido votada recentemente no Congresso Nacional, acho que ela precisa já de uma revisão, porque foi votada muito a toque de caixa. E passou por cima dos aspectos regionais, sem considerar a força da da indústria do estado, da nossa região. A gente precisa levar em consideração o impacto que não será desprezível. A indústria aqui em Pernambuco não vai sobreviver a essa essa reforma tributária, isso está claro" "O custo de produção do Sul é muito mais baixo, o custo industrial e vai ficar muito mais fácil para algumas indústrias, alguns segmentos, concentrar a base de produção no Centro Sul e exportar para o Nordeste. Então, a gente precisa debater o tema da implementação da reforma tributária tendo como foco o interesse em Pernambuco", destacou. O Nordeste está muito penalizado, porque um dos modos de você fazer com que uma indústria saísse de São Paulo para Pernambuco era a partir de uma de uma redução da carga tributária que era só no Nordeste", argumentou. Tema 4: Infraestrutura e Logística Questionado sobre a atuação parlamentar para viabilizar grandes obras estruturadas a exemplo do Arco Metropolitano e da Transnordestina, Mendonça  cobrou os atuais senadores que representam o estado no Congresso. "Não vejo uma dedicação efetiva de um senador pernambucano em torno dessas obras decisivas. Sempre a culpa é terceirizada, a culpa é do governo federal, a culpa é do governo do estado, mas o cargo de senador que representa um estado exige um papel a mais. Ele tem que atuar de forma muito próxima ao governo do estado", disparou. "Espero estar como senador com a governadora Raquel Lyra para apoiá-la naqueles projetos muito conhecidos em Pernambuco e que são históricos. Alguns avançaram, outros não. Seria um avanço o Arco Metropolitano Sul. Raquel começou a sua implementação, o que é muito positivo. Ela foi ousada, foi competente, começou já a obra tá em execução", elogiou.  "Mas o Arco Norte que pode e que irá beneficiar o polo automotivo da Jeep de Goiana, ele é fundamental para a indústria de vestuário de Paulista, de Igarassu, toda aquela base industrial do norte do estado, ela precisa dessa conexão", pontuou.

"A implantação da Transnordestina do trecho que é de Pernambuco, uma obra já prometida, já foi dada a ordem de serviço desde 2007, ou seja, há 20 anos. Para, anda, para, anda e não sai do lugar. Precisa sair do papel e tornar Suape um porto ainda mais competitivo, que eu acho que a gente tem um potencial enorme do ponto de vista logístico a partir de Suape. Suape é um porto que tem um calado natural extraordinário e a gente pode avançar significativamente para ter esse potencial melhor explorado", avaliou.

"O governo do estado tem priorizado água, por exemplo, o programa de abastecimento de água em Pernambuco, que com a concessão e essa parceria pública privada que o governo do estado viabilizou na gestão de Raquel vai possibilitar um volume de investimento muito grande na indústria da construção civil, que foi motivo dessa dessa integração e tem impacto direto nesse aspecto de reduzir o custo de atendimento ao suprimentos básicos, inclusive dessa indústria, fora outras indústrias", exemplificou o candidato

"A indústria da construção civil muitas vezes paga o custo da logística que é muito elevado para nossa região, para o nosso estado. Então, eu espero que a gente possa reduzir esse custo para a indústria dos insumos fundamentais, não só para a construção civil, mas para toda a cadeia industrial de Pernambuco", concluiu. Tema 5: Transnordestina A concepção e a discussão sobre a Transnordestina e o trecho pernambucano, que ficou inviabilizado até aqui porque sempre se imaginou que você implantaria um trecho ferroviário tendo como lógica a auto-sustentabilidade e o retorno pleno de um empreendimento privado. E a gente sabe que em qualquer parte do mundo ferrovia é um investimento que, em regra, é um investimento bancado pelo Estado, pelo governo, seja ele estadual, federal, no caso. O volume de recursos é tão grande que a iniciativa privada não tem retorno se o empreendedor implantar uma ferrovia e quiser usufruir daquele trecho", ponderou Mendonça.

O candidato volou a criticar a atuação parlamentar dos atuais senadores pernambucanos. "Você precisa ter senador que se dedique a buscar a alocação de recursos no orçamento da União, vinculando a Transnordestina como uma obra estratégica. Hoje, os senadores tem uma preocupação muito grande de atender no fazer cumprir, no fatiado, no varejo das demandas municipais. É bom atuar em defesa dos municípios, das demandas municipais. Mas será que não pode ter um senador que pense estrategicamente Pernambuco, que pense a partir de obras estratégicas?", questionou.

"Sempre vai estar pensando numa pequena obra no pequeno município do interior. Não que não mereça esse pequeno município do interior, que terá minha atenção, mas há de se ter também compromisso - no caso no cargo de senador principalmente - com aquilo que impacta em termos de médio e longo prazo", avaliou.

Sei que o médio e longo prazo não gera o retorno que as pessoas imaginam, eleitoral. E não tem mesmo um impacto eleitoral e o retorno eleitoral que se espera para quem está numa função pública. Mas eu acho que você precisa pensar além daquele momento mais imediato. E uma obra como a Transnordestina tem esse aspecto. Ela impactará fortemente o nosso Estado", comentou.

"A gente tem que levar em consideração no que diz respeito ao transporte público. É um aspecto que eu quero considerar, principalmente levando em consideração o trabalhador metropolitano, de quem mora em Igarassu, Abreu e Paulista, Jaboatão, Moreno, Cabo e Ipojuca, que deveriam ter uma integração ferroviária. Qualquer país do mundo que tem uma uma uma área conurbada como o caso do Recife, o Grande Recife, geralmente tem um transporte público de qualidade. Hoje se oferece um transporte público de péssima qualidade, e a verdade é essa. O metrô tá sucateado, eu não vejo também dedicação", disse.

A única iniciativa que houve até aqui foi da Pernambucana que é o reivindicando a estadualização, porque o governo federal, que é o detentor, eh, da, eh, condução do metrô e da gestão do metrô, não faz a sua parte. Eu acho que a gente precisa pensar naquilo que diz respeito a ao transporte de carga, da infraestrutura logística, mas tem que pensar também nas pessoas, nos centros urbanos, que se deslocam em verdadeiras latas de sardinhas prensadas no dia a dia da região metropolitana do Recife", concluiu.