Principais candidatos ao Senado Federal por Pernambuco - Paullo Allmeida; Davi de Queiroz; Davi de Queiroz; Vinicius Lins; Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco O debate entre os candidatos de Pernambuco ao Senado Federal promovido nesta terça-feira (22) pela Rádio Grande Rio FM, em Petrolina, no Sertão do São Francisco, foi marcado por intensos confrontos diretos, acusações e disputas ideológicas em torno das prioridades estaduais e nacionais. Ao longo de quatro blocos, o embate transitou entre pautas regionais e temas de forte repercussão nacional, como a proibição das casas de apostas digitais (BETs), a redução da maioridade penal e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por atenderem ao critério de representação partidária no Congresso Nacional, participaram os postulantes Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD). A candidata Marília Arraes (PDT) não compareceu, justificando a ausência devido a um choque de compromissos de agenda.

PRIMEIRO BLOCO No primeiro bloco, dedicado às perguntas de jornalistas, os postulantes anteciparam os pontos de atrito do debate. Questionado sobre a conduta de ministros do STF, Humberto Costa declarou que votaria pelo afastamento de membros da Corte: "Se realmente for necessário, eu votarei [pelo impeachment de ministro]. Não terei nenhuma dificuldade em fazer isso, obviamente desde que exista um processo legal normal, desde que haja provas suficientes", garantiu o petista.

Na sequência, Mendonça Filho defendeu emendas para obras como a segunda ponte Petrolina-Juazeiro, Paulo Rubem criticou os juros altos do Banco Central, Túlio Gadêlha reafirmou oposição à escala 6x1 e Eduardo da Fonte cobrou recursos para a rede de saúde PEBA e para o Hospital Universitário da Univasf.

SEGUNDO BLOCO No segundo bloco, em confrontos diretos por temas sorteados, a Transnordestina e a segurança pautaram os debates. Sobre a ferrovia, Túlio e Paulo Rubem criticaram paralisações passadas, enquanto Humberto sugeriu incluir a Petrobras no projeto. Na segurança, Mendonça defendeu o fim da progressão de pena para chefes de facções criminosas.

Ao abordarem a atuação do Judiciário, Mendonça criticou a interferência do STF no Legislativo e Eduardo defendeu o fim da vitaliciedade. Em resposta, Paulo Rubem fez uma fala contundente: "A democracia não é só fazer eleições, é botar na cadeia todo e qualquer tipo de golpe que atenta contra a vontade do povo. O lugar de golpista antidemocrático é ir para a cadeia".

TERCEIRO BLOCO O terceiro bloco aproximou a discussão das demandas locais com perguntas de ouvintes e de entidades como a Univasf e a OAB. Sobre a indicação de magistrados ao STF, Túlio Gadêlha defendeu critérios técnicos e criticou o loteamento político da Corte.

Humberto Costa abordou a reforma tributária ao defender o Fundo de Desenvolvimento Regional para Pernambuco. Já no debate agrícola, Mendonça Filho defendeu a expansão de polos irrigados no Araripe e no Sertão de Taparica, enquanto Paulo Rubem cobrou igualdade de incentivos para a agricultura familiar.

QUARTO BLOCO O quarto bloco reservou os embates mais tensos, em rodadas com tema livre. Na segurança pública, Mendonça Filho defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos, enquanto Túlio Gadêlha rebateu: "Faço política com ciência, e em nenhum lugar no mundo aumentar penas reduziu a violência. A saída é investir em educação". Mendonça retrucou: "Quem fizer crime violento tem que pagar na cadeia. É preciso dureza para enfrentar o crime, não moleza".

O ápice do bloco ocorreu no confronto entre Eduardo da Fonte e Mendonça Filho sobre as BETs. Eduardo provocou o rival ao cobrar um posicionamento claro sobre o banimento dos jogos online: "Eu no Senado vou votar para acabar com as BETs porque defendo os princípios cristãos, a família e as igrejas. É importante você deixar claro, você que gosta tanto de jogar posições para deixar contradições". 

Na tréplica, Mendonça acusou o rival de "jogo de cena" e revelou bastidores: "Quem gosta de jogar é você, Eduardo. Você jogou de forma nefasta ao negociar o cargo de senador com João Campos no início deste ano. Não venha me dar lições no campo da ética".