Lula e Flávio Bolsonaro gravam programas para o horário eleitoral, com emprego, soberania, custo de vida e corrupção no centro da disputa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) já gravam peças para o horário eleitoral de rádio e televisão, previsto para começar nos próximos dias e seguir até 1º de outubro. Os dois candidatos ao Planalto devem usar os programas para disputar temas como emprego, soberania, custo de vida, endividamento e corrupção.

A campanha de Lula pretende concentrar sua propaganda em emprego, saúde, educação e defesa da soberania nacional. A estratégia inclui destacar realizações de seus governos e indicadores dessas áreas, ao lado de uma mensagem de esperança, sonho e orgulho nacional.

O petista iniciou as gravações em uma casa no Lago Sul, em Brasília, onde sua equipe monta um banco de imagens para o primeiro turno. O formato do programa de estreia ainda depende de pesquisas qualitativas, e os responsáveis pela campanha avaliam alternar falas espontâneas e trechos lidos em teleprompter.

Em Macaíba, no Rio Grande do Norte, Lula atacou a gestão Bolsonaro ao afirmar que o país estava desestruturado quando voltou ao governo. “Era um lugar abandonado, porque se construiu um processo de mentira nesse país”, disse o presidente, que visitou um parque tecnológico e acompanhou anúncios sobre supercomputadores e soberania digital.

Flávio Bolsonaro afirmou em encontro com empresários na Mooca, em São Paulo, que pretende cumprir um “mandato de transição” caso vença a eleição. Ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o senador não detalhou a proposta, mas vinculou a ideia à defesa do fim da reeleição.

“E eu pretendo entrar para a história, Tarcísio, nem que seja como presidente de transição”, declarou Flávio. Mais cedo, Tarcísio havia dito em sabatina que o candidato do PL defende o encerramento da possibilidade de reeleição para presidentes.

Na propaganda, Flávio deve associar a política econômica do governo Lula ao aumento do custo de vida e ao endividamento das famílias. A campanha gravou cenas em um supermercado para explorar situações cotidianas e sustentar a crítica de que brasileiros recorrem ao crédito e enfrentam juros que não conseguem pagar.

O candidato também pretende levar ao horário eleitoral o caso de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência. A equipe de Flávio quer usar mensagens atribuídas ao filho do presidente e à empresária Roberta Luchsinger, enquanto parlamentares cobram novas diligências e a preservação das provas reunidas na investigação.