O uso da inteligência artificial nas escolas e a adaptação das cidades às mudanças climáticas estão entre os assuntos que podem chegar à redação do Ex...
O uso da inteligência artificial nas escolas e a adaptação das cidades às mudanças climáticas estão entre os assuntos que podem chegar à redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, na avaliação de professores consultados pelo UOL.
A lista inclui ainda a proteção de crianças na internet e os impactos das bets no orçamento familiar, temas que também podem orientar a revisão para a prova, marcada para 8 de novembro.
A menos de duas semanas do exame, os professores explicam o que sustenta cada aposta. Também indicam livros, filmes e fontes de consulta para incrementar os assuntos antes da prova.
As enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 estão entre os acontecimentos que levam Everton Bastos, professor de Literatura e Produção de Textos do Colégio Católica Curitiba, a apontar o possível tema "Adaptação das cidades com relação às mudanças climáticas". De acordo com ele, o debate envolve planejamento urbano e a exposição desigual aos desastres.
"A banca do ENEM valoriza abordagens que discutem desigualdades socioespaciais, já que eventos climáticos extremos afetam de forma desproporcional, sobretudo, as populações periféricas e vulneráveis."
Amanda Correia, coordenadora da Rede Alfacem Global Academy, faz a mesma aposta: "O ponto central é que os desastres não atingem todos da mesma forma: quem mais sofre é a população pobre que vive em áreas de risco."
Bastos sugere a leitura de relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e artigos do Observatório do Clima, enquanto Correia indica o livro Ideias para Adiar o Fim do Mundo, de Ailton Krenak, e o filme Parasita, de Bong Joon-ho.
Adenildo Lima, professor de Língua Portuguesa do ensino médio técnico do Senac Nações Unidas, aponta o tema: "Desafios para o uso ético e consciente da inteligência artificial no Brasil". Para o docente, o tema coloca em discussão "a tensão entre o rápido avanço da inovação tecnológica e seus impactos éticos, sociais e jurídicos".
Correia destaca o uso das ferramentas de IA nas salas de aula. Embora possam ampliar o acesso ao conhecimento, há preocupações com a dependência tecnológica e a perda do pensamento crítico. O plágio e a desinformação também estão entre os riscos apontados pela coordenadora.
"Há também uma questão de desigualdade: nem todos os alunos e escolas têm o mesmo acesso a essas tecnologias."
Para estudar o assunto, Adenildo Lima sugere consultar a Constituição e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A coordenadora recomenda Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire, e avaliar o que vem sendo debatido sobre a regulamentação da tecnologia no Brasil.
O analfabetismo funcional sustenta outra aposta do professor do Senac Nações Unidas: o papel da leitura na promoção da cidadania e do pensamento crítico no Brasil.
"Aborda uma problemática sensível à população brasileira, que afeta uma parcela significativa dos brasileiros e brasileiras que leem, mas nem sempre conseguem compreender, interpretar ou elaborar uma análise crítica sobre o assunto abordado."
O docente menciona a escassez de bibliotecas e de políticas contínuas de incentivo à leitura, sobretudo em cidades pequenas, como pontos a serem explorados na redação. Menciona ainda o consumo rápido e superficial de informações digitais que podem favorecer a circulação de notícias falsas.
Entre as indicações estão A importância do ato de ler: em três artigos que se completam, de Paulo Freire, e o ensaio O direito à literatura, de Antonio Candido. O professor recomenda também consultar os dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) (https://alfabetismofuncional.org.br/).
Letícia Lima, professora de redação e Linguagens da edtech AMentoria, levanta o tema "Vulnerabilidade digital de crianças" e aposta na proteção infantil na internet pelas discussões sobre o funcionamento dos algoritmos e o cyberbullying.
Ela sugere a responsabilidade das plataformas digitais, compartilhada com o Estado e as famílias, no enfrentamento desses problemas, como mote para a elaboração do texto.
Para melhorar o repertório, indica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Marco Civil da Internet. "Não adianta citar uma lei apenas para mostrar que a conhece; o candidato precisa explicar como aquele princípio jurídico se choca com o problema apresentado na coletânea."
A dificuldade de atrair jovens para a docência, enquanto o quadro de professores envelhece, é outra aposta de Letícia Lima. A precariedade das condições de trabalho é outro ponto que pode entrar na análise dos riscos educacionais.
A professora recomenda considerar a formação e a valorização profissional, observando como os jovens enxergam a carreira, na hora de estruturar o texto. A pesquisa Apagão dos professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil, do Instituto Semesp, é uma sugestão para estudar o assunto.



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