Engenheiro que fez vistoria no edifício em fevereiro apontou irregularidades; responsáveis seguem foragidos

O profissional, Fabio José de Oliveira, realizou uma vistoria no edifício em fevereiro deste ano, após ter sido procurado por um representante da Construtora New Home, responsável pela obra.

O objetivo era deixar o edifício dentro dos critérios estabelecidos para a obtenção do Habite-se, documento emitido pela Prefeitura que atesta que uma construção ou reforma foi concluída seguindo o projeto arquitetônico aprovado e as leis municipais.

Na ocasião, o engenheiro afirmou ter identificado falhas graves na obra e que havia diferenças em relação ao alvará que tinha sido aprovado pela Prefeitura. O profissional afirmou ter encontrado rachaduras dentro do prédio e escadas fora das normas do Corpo de Bombeiros.

Além disso, enquanto o projeto registrado previa 39 apartamentos, o prédio tinha 50. Na época, o engenheiro recomendou que a família deixasse o imóvel enquanto os reparos não fossem realizados.

Ainda no depoimento, Fabio José de Oliveira indica que fez um orçamento para realizar os reparos necessários no edifício. O valor era de 1,5 milhão de reais, mas poderia chegar na casa dos 5 milhões de reais. A empresa responsável, por sua vez, informou que tinha o valor de 670 ooo reais.

Segundo o engenheiro, a negociação não evoluiu e ele não foi mais procurado pelo representante da New Home.

Em nota ao g1, a New Home afirmou que “desconhece qualquer orçamento nesse sentido e contratação de alguém para vistoria. Estão aguardando o resultado da perícia oficial que poderá indicar as causas do desabamento”.

A Polícia Civil aponta o engenheiro Cristiano Salgado Vivaqua e a empresária Isis de Freitas Rodrigues Brandão como responsáveis pelo prédio que desabou. Desde o dia do desabamento, os dois estão sendo procurados.

Vivaqua era o responsável técnico pela execução da obra. Já Isis é a representante legal da Construtora New Home, que vendia os imóveis e tocava a obra.

O prédio já havia sido alvo de uma ação judicial por construção irregular movida pela Prefeitura de São Paulo.

Em 2021, após fiscalizações da Subprefeitura Penha, a gestão municipal conseguiu uma liminar barrando os trabalhos e pediu a demolição do local.

No ano seguinte, porém, a construtora apresentou um novo projeto, se comprometendo a demolir toda a estrutura antiga.

Após nova vistoria, a ação na Justiça foi extinta e o imóvel obteve novo Alvará de Aprovação e Execução em agosto de 2023.