No programa Os Três Poderes, autor da reportagem de capa explica esquema de propina envolvendo Daniel Vorcaro, o Instituto Lula e fundos de pensão

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VEJA revela áudios exclusivos em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro detalha pagamentos de propina ao Instituto Lula e repasses para o filme de Oliver Stone sobre o presidente. A reportagem desvenda um esquema para o Banco Master captar R$ 10 bilhões de fundos de pensão estatais, com R$ 1 bilhão em propina, e a suposta tentativa de abafar as investigações.

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A reportagem de capa da edição desta semana de VEJA revelou um áudio em que o ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro relata pagamentos de propina ao Instituto Lula e repasses “por fora” para o documentário do cineasta Oliver Stone sobre o presidente, lançado em 2024. A quinze dias do segundo turno das eleições, apoiadores do petista e de seu rival nas urnas Flávio Bolsonaro, do PL, têm tentado imprimir narrativas pensadas sob medida para as campanhas de cada um, mas o ruído eleitoral não elimina a gravidade das informações publicadas, como explicou o editor de Radar Robson Bonin, autor da reportagem, durante o programa “Os Três Poderes”, de VEJA.

As mensagens, os áudios e os documentos obtidos pelo jornalista e exibidos na reportagem apresentam em detalhe a negociação de Vorcaro, ao longo de 2024 e parte de 2025, com Olavo Noleto, que era à época secretário-executivo do então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, com gabinete no Palácio do Planalto, em torno de repasses aparentemente ilegais para que o Master passasse a captar dinheiro dos fundos de pensão estatais de funcionários da Petrobras, dos Correios, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

A principal meta de ambas as partes, explica Bonin, era que o banco de Vorcaro chegasse a 10 bilhões de reais em captações nesses fundos e, como contrapartida, destinasse 10% desse montante, 1 bilhão de reais, em propina para seus “despachantes” no petismo. Ou seja, era esse o preço dos interlocutores palacianos do banqueiro responsável pela maior fraude financeira da história do país para ajudar a salvar o Master da ruína. Repasses “por fora” para o Instituto Lula e o documentário de Oliver Stone sobre o presidente seriam um “pedágio” inicial para azeitar as tratativas que viriam mais adiante.

Em sua participação fixa no programa “Os Três Poderes”, o autor da reportagem de capa explica como um operador ligado a Noleto buscou os presidentes dos fundos de pensão daquelas estatais, à época indicados políticos do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do próprio Alexandre Padilha, e exerceu influência política para que Vorcaro fosse recebido com tapete vermelho nesses órgãos. Em maio de 2024, o Master consegue entrar na chamada lista exaustiva, que é uma espécie de garantia que o governo federal apresenta aos fundos de pensão atestando que o banco é idôneo, tem avaliações de risco positivas e pode, sim, receber dinheiro de investimento dessas caixas previdenciárias.

“Foi esse cartão de visitas que o governo Lula deu em maio para o banco do Daniel Vorcaro, que já tinha notas baixíssimas de crédito no mercado e já estava sendo investigado por fraudes. Naquele momento, o Master estava negociando a venda de letras de crédito de 500 milhões de reais com o braço de investimentos da Caixa Econômica. Era o primeiro golpe que teria sido dado nessa parceria com o PT. O caso não foi à frente porque a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, publica em julho de 2024 uma reportagem mostrando que dois gerentes da Caixa Asset haviam sido afastados dos cargos por emitir um parecer barrando essa operação do Daniel Vorcaro nos fundos de pensão”, relata Bonin.

Segundo apurou o editor de Radar, Vorcaro contou em uma proposta de delação premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República que, quando esse escândalo explodiu na Caixa Asset, Padilha e outros petistas “recuaram”, mas “a parceria não termina ali”. Em outubro de 2024, o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais vai a um jantar na casa do banqueiro e, no dia seguinte, um operador ligado a Padilha envia uma mensagem orientando Vorcaro a ligar para Olavo Noleto, braço-direito de Padilha, porque ele estaria no Palácio do Planalto, dizendo que “o presidente gostou muito da conversa” e “vai te receber”.

Bonin prosseguiu com o raciocínio, levando em conta o contexto da época. “Naquele momento, a única conversa que a gente sabe que existia era corrupção com fundo de pensão. Vorcaro não consegue ligar (e) não aparece no celular dele o desfecho dessa história. Lula recebeu Vorcaro em dezembro. (…) Mensagens do Walfrido Warde, que foi advogado do Vorcaro e lidava com o PT, dão a ideia de que havia uma pressão sobre o Banco Central para salvar o Master”, afirma o jornalista.

Ele concluiu: “O Daniel Vorcaro apresentou esse relato aos investigadores da Polícia Federal e da PGR. O que aconteceu foi que a PGR não quis ficar com esse material. A gente tem outros trechos de prova que citam pessoas da PGR que tiveram contato com a defesa do Vorcaro nesse período, e tudo isso foi empurrado para debaixo do tapete, lamentavelmente. A reportagem mostra que é preciso que muita coisa seja investigada porque nada disso aí pode ir para debaixo do tapete. São 10 bilhões de reais que seriam desviados de trablahdores no governo Lula para salvar o banco Master.”