Proposta em análise no Congresso dos Estados Unidos coloca a fabricante alemã diante de um cenário inédito
Priorizar nos meus resultados Google A Mercedes-Benz passou a enfrentar o risco de ser impedida de vender veículos nos Estados Unidos por causa de um projeto de lei que avança no Senado americano e endurece as restrições à participação de empresas chinesas na indústria automotiva.
O texto, chamado Connected Vehicle Security Act, estabelece que montadoras cujos acionistas chineses detenham mais de 15% do capital não poderão comercializar veículos conectados no país. A proposta faz parte da estratégia de Washington para reduzir a presença de tecnologia chinesa em setores considerados estratégicos para a segurança nacional.
Nesta quarta-feira, a proposta será analisada pela Comissão de Comércio do Senado, um dos principais colegiados da Casa. Se aprovada, ainda precisará passar pelo plenário e ser conciliada com uma versão semelhante discutida na Câmara dos Representantes.
Embora seja uma empresa alemã, a Mercedes possui cerca de 20% de seu capital nas mãos de grupos chineses.
Entre os principais acionistas estão a Geely, dona da Volvo Cars e de diversas outras marcas automotivas, e a BAIC, uma das maiores fabricantes de veículos da China. Individualmente, nenhum desses investidores possui mais de 10% das ações, e a Mercedes afirma que eles não exercem controle sobre as decisões da companhia.
Mesmo assim, a legislação considera apenas o percentual de participação acionária. Caso seja aprovada na forma atual, a fabricante ultrapassaria o limite permitido.
A discussão vai além da origem dos automóveis.
Os veículos modernos funcionam como computadores sobre rodas. Eles coletam dados de localização, hábitos de condução, câmeras, sensores, sistemas de comunicação e atualizações remotas de software.
Parlamentares americanos argumentam que empresas ligadas ao governo chinês poderiam, em tese, utilizar essa infraestrutura para espionagem, ataques cibernéticos ou até interferências em sistemas considerados críticos.
O projeto também amplia o cerco às baterias produzidas pela chinesa CATL, maior fabricante mundial do setor. A proposta pretende restringir a importação de sistemas eletrônicos de gerenciamento das baterias, considerados pelos defensores da lei um possível vetor de vulnerabilidade.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla adotada por Washington nos últimos anos.
Depois de impor restrições à Huawei, ampliar sanções contra fabricantes chineses de semicondutores e limitar exportações de chips avançados, os Estados Unidos passaram a concentrar esforços também na indústria automotiva.
O objetivo é impedir que tecnologias consideradas sensíveis sejam desenvolvidas ou controladas por empresas ligadas à China em setores estratégicos da economia americana.
A montadora tenta convencer senadores a alterar o texto.
A empresa argumenta que gera aproximadamente 160 mil empregos nos Estados Unidos entre fábricas, fornecedores e concessionárias e afirma apoiar iniciativas voltadas à segurança nacional, desde que elas não prejudiquem suas operações.
O movimento, porém, provocou críticas de parlamentares republicanos e democratas, que acusam a fabricante de tentar enfraquecer uma legislação considerada essencial para proteger a indústria e a segurança do país.
A preocupação aumentou após decisões recentes do governo americano.
A Polestar, controlada majoritariamente pela Geely, perdeu autorização para vender novos veículos elétricos nos Estados Unidos por causa das regras sobre veículos conectados.
Já a Volvo Cars conseguiu continuar operando depois de demonstrar às autoridades americanas que os dados coletados por seus automóveis não são enviados para a China.
Enquanto isso, montadoras como a General Motors aceleram a substituição de fornecedores chineses e reorganizam suas cadeias produtivas para cumprir as novas exigências regulatórias.

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