A ida da Polícia Federal aos marqueses da rede varejista Americanas, bem como o bloqueio de até R$ 54 bilhões de seus bens, indicam que pode estar sendo reaberto o caso da fraude praticada na empresa. Leia mais (06/27/2026 - 23h00)

Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"

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27.jun.2026 às 23h00

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A ida da Polícia Federal aos marqueses da rede varejista Americanas, bem como o bloqueio de até R$ 54 bilhões de seus bens, indicam que pode estar sendo reaberto o caso da fraude praticada na empresa.

Quando os holofotes estavam voltados para a rede e a empresa era vista como "terra arrasada", um banqueiro chamado Daniel Vorcaro armava sua rede de notáveis para salvar seu banco. Organizava farofas com hierarcas e festas com jovens eslavas.

A sabedoria convencional ensina que o escândalo seguinte abafa a roubalheira anterior. Nesse caso, o Banco Master abafaria o caso da Americanas. A ação da PF desmentiu essa urucubaca.

A fraude da Americanas mobilizou várias equipes de investigadores e produziu a maior pizzaria dos últimos tempos. Chegaram ao ponto de criar uma CPI que não ouviu ninguém relevante e não apontou para vivalma. Exageraram na exibição do próprio poderio. Soberba.

Só não haviam domesticado a Polícia Federal. Má ideia.

Quando o caso do Banco Master começou, urdiu-se uma vacina judicial. Levaram a farinha, o queijo e os tomates. Iam ligar o forno e, sem estridência, alguém pôs na pizza contratos de advocacia e um resort de granfinos no Paraná. O tempero azedou a pizza.

O nível de uma banda do Supremo Tribunal Federal chegou a tal ponto que merece atenção um ensinamento do advogado americano Roy Cohn (1927-1986): "Não me diga o que diz a lei. Diga-me quem é o juiz".

Como promotor, Cohn foi o braço direito do senador Joseph McCarthy na caça às bruxas dos anos 50. Como advogado foi um temível litigante e teve como cliente e discípulo um jovem empresário chamado Donald Trump.

Em setembro, chegará às livrarias sua biografia, escrita pelo craque Kai (Oppenheimer) Bird. Seu título diz tudo: "Um Canalha Americano".

André Mendonça não é Sergio Moro. Seu único projeto é sair inteiro do Supremo Tribunal.

Pode vir a ser perda de tempo supor que o próximo Senado votará o impedimento do ministro Alexandre de Moraes. A amizade do doutor com o senador Davi Alcolumbre é uma barreira quase intransponível.