Região em Los Angeles conhecida como Tehrangeles concentra uma das maiores comunidades de iranianos fora do Irã

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Nas quadras de Westwood, em Los Angeles, é possível encontrar mercados iranianos, padarias e vitrines escritas em farsi.

Em frente aos estabelecimentos, é comum ver a antiga bandeira iraniana, com o leão e o sol, símbolo do país antes da Revolução Islâmica de 1979 que levou ao poder o atual regime.

Ali está uma das maiores comunidades iranianas fora do Irã, concentração que lhe rendeu um apelido próprio: Tehrangeles, uma mistura de Teerã com Los Angeles.

Segundo o Pew Research Center, a população iraniana nos EUA era estimada em 740 mil pessoas em 2024, sendo que metade vive no estado da Califórnia e 230 mil vivem em Los Angeles e arredores.

Espalhada ao longo da Westwood Boulevard, a cerca de 15 quilômetros do estádio onde Irã e Bélgica se enfrentam neste domingo (21) na Copa do Mundo, a região preserva traços da cultura iraniana em meio à paisagem típica americana, dividindo espaço com lojas de redes como 7-Eleven e cafeterias Starbucks.

Às vésperas da partida, porém, o futebol divide espaço com outro debate.

Entre integrantes da diáspora iraniana, há quem pretenda torcer pela seleção nacional e quem defenda o boicote à equipe, por considerá-la um símbolo do regime autoritário que governa o país.

Entre os que não desejam assistir à seleção iraniana está Roozbeh Farahanipour, 54.

Dono de restaurantes em Westwood e uma das vozes mais conhecidas da oposição iraniana em Los Angeles, ele chegou aos Estados Unidos em 2000 após participar dos protestos estudantis que desafiaram o regime no ano anterior.

Segundo Farahanipour, sua atuação no movimento lhe rendeu uma condenação à morte no Irã. Há 26 anos, vive nos Estados Unidos, onde se tornou ativista e líder da comunidade exilada.

Farahanipour afirma que não pretende acompanhar o jogo. "Tenho alergia à República Islâmica. Não quero assistir. Não quero ouvir o hino nacional. Não quero ver a bandeira", diz.

A oposição ao atual regime costuma adotar a antiga bandeira, com sol e leão, e considera que a atual é um símbolo de um regime que reprime a população.

A bandeira antiga foi vetada pela Fifa, porém torcedores a mostraram no primeiro jogo. Exibir o símbolo, vetado pelas autoridades iranianas, está em contradição com o regulamento da federação, que proíbe manifestações políticas em seus eventos esportivos. Teerã ameaçou até suspender a partida se isso ocorrer.

Farahanipour critica a atitude da Fifa durante o torneio. Segundo ele, a entidade errou ao restringir determinados símbolos e manifestações políticas nos estádios. "Esta é a terra da liberdade", afirma, em relação aos EUA.