As primeiras eleições primárias para as disputas legislativas nos Estados Unidos começam a delinear o cenário das midterms , mas ainda oferecem sinais mistos sobre a capacidade dos partidos de converter esse desempenho em vitórias em novembro, avaliam cientistas políticos ouvidos pela Folha . Leia mais (07/19/2026 - 23h00)
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19.jul.2026 às 23h00
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As primeiras eleições primárias para as disputas legislativas nos Estados Unidos começam a delinear o cenário das midterms, mas ainda oferecem sinais mistos sobre a capacidade dos partidos de converter esse desempenho em vitórias em novembro, avaliam cientistas políticos ouvidos pela Folha.
Se, por um lado, candidatos mais progressistas têm obtido vitórias importantes em parte das disputas democratas, por outro, especialistas afirmam que o principal fator que hoje favorece o partido é o desgaste do governo Donald Trump —e não necessariamente uma agenda unificada da oposição.
As eleições ocorrem em um momento em que o presidente voltou a questionar, sem apresentar provas, a confiabilidade do sistema eleitoral americano. Ele pressiona o Congresso a aprovar o Save America Act, projeto que exige documento com foto e comprovante de cidadania para registro eleitoral, além de ampliar o compartilhamento de dados entre os estados e o governo federal.
Críticos afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e que a proposta poderá restringir votos legítimos.
Historicamente, as eleições de meio de mandato costumam favorecer o partido de oposição ao presidente. Segundo reportagem do New York Times, os democratas aparecem como favoritos para retomar o controle da Câmara dos Representantes. Já o Senado segue em aberto, já que o partido precisaria vencer ao menos dois estados conquistados por Trump por ampla margem.
O avanço da ala mais à esquerda nas primárias também passou a ocupar o centro da estratégia eleitoral de Trump. Levantamento da Reuters mostra que o presidente intensificou nas últimas semanas o uso de discursos que associam adversários ao comunismo após vitórias de candidatos progressistas, especialmente em Nova York.
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Segundo a agência, integrantes da equipe republicana avaliam que a retórica mobiliza fortemente a base de Trump e pode aumentar a participação de eleitores republicanos menos frequentes nas urnas, embora tenha desempenho mais limitado entre independentes e jovens.
A estratégia também busca deslocar o foco do debate sobre inflação e custo de vida para retratar os democratas como um partido dominado pela esquerda mais radical.
Os independentes devem ter peso ainda maior neste ciclo. Pesquisa da CNN mostra que 47% dos americanos não se identificam com nenhum dos dois principais partidos, o maior percentual em mais de uma década.
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Para Jonathan Hanson, professor de ciência política da Universidade de Michigan, as primárias mostram que o Partido Republicano segue amplamente alinhado ao presidente. "Na maior parte, os candidatos apoiados por Trump estão vencendo ou, no mínimo, fazem campanha defendendo sua agenda. Ninguém está realmente concorrendo contra a ala trumpista do partido neste momento", afirma.
Entre os democratas, Hanson vê uma disputa entre moderados e progressistas. "Estamos vendo candidatos progressistas derrotarem nomes mais moderados ou ligados ao establishment. Em alguns casos, até parlamentares que já ocupavam o cargo estão perdendo."




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