Entre Dois Mundos: a diplomacia panda em meio à corrida tecnológica Reprodução Dois países estão em meio a uma corrida histórica. Quem vai chegar primeiro numa inteligência artificial que seja superior a todos nós, em todos os sentidos? Especialistas comparam a corrida à época da Guerra Fria, à corrida espacial e à bomba atômica. Em maio deste ano, Xi Jinping e Donald Trump se encontraram na China. Foi a primeira visita de um presidente americano em quase uma década. Os dois queri

27/09/2026 20h54 Atualizado 27/09/2026

EUA e China travam uma competição histórica pelo domínio da inteligência artificial comparada à Guerra Fria e à corrida espacial

Encontros de alto nível entre líderes e bilionários da tecnologia buscam demonstrar estabilidade, mas não resultam em acordos de regulação

A chegada de um novo casal de pandas aos EUA sinaliza a intenção da China de manter o diálogo e evitar uma escalada de conflitos

A soberania sobre a ilha de Taiwan é tratada por Pequim como uma "linha vermelha" inegociável

A concessão de pandas costuma acompanhar grandes acordos ao mesmo tempo em que o encerramento de contratos sem renovação é utilizado como uma retaliação diplomática discreta

Por que dois pandas entraram na diplomacia de Trump e Xi Jinping?

Dois países estão em meio a uma corrida histórica. Quem vai chegar primeiro numa inteligência artificial que seja superior a todos nós, em todos os sentidos? Especialistas comparam a corrida à época da Guerra Fria, à corrida espacial e à bomba atômica.

Em maio deste ano, Xi Jinping e Donald Trump se encontraram na China. Foi a primeira visita de um presidente americano em quase uma década. Os dois queriam demonstrar estabilidade. Mas ninguém saiu de lá dizendo que a rivalidade tinha acabado.

O presidente americano levou a Pequim os mesmos bilionários que, nesta semana, estavam sentados à mesa de jantar com Xi Jinping em Washington. Mas, mais uma vez, nesse convescote de gala, não saiu nenhum acordo sobre o que os superpoderosos planejam fazer se esses robôs resolverem se voltar contra a gente.

O grande anúncio da semana parece até brincadeira, mas virou manchete mundial: a chegada de dois novos diplomatas aos Estados Unidos, chamados Ping Ping e Fu Shuang — um casal de pandas gigantes.

Sobre a chegada dos animais, Xi Jinping destacou: “O panda gigante é um mensageiro da amizade entre chineses e americanos.”

Por isso, vale a pena entender o que está em jogo quando a China tira da manga a carta da Diplomacia Panda.

A história começou antes de o Partido Comunista chegar ao poder. O governo de Chiang Kai-shek deu dois pandas para o Zoológico do Bronx, em Nova York, em agradecimento pela ajuda americana na Guerra do Japão. Anos depois, Chiang foi derrotado pelos comunistas e levou o governo da República da China para Taiwan. Foi aí que começou a disputa que até hoje envolve a ilha.

Chiang passou a governar Taiwan como se ali estivesse a sede do governo de toda a China. Mas quem estava no poder na verdade, no continente, era Mao Tsé-Tung, líder da nova China comunista, que continuou a tradição de dar pandas, mas apenas para os aliados socialistas.

Isso mudou em 1972, quando China e Estados Unidos voltaram a se falar com a visita do presidente americano Richard Nixon. Os pandas Ling Ling e Hsing Hsing chegaram a Washington. Nesse mesmo ano, o Japão estabeleceu relações com a China comunista e também recebeu seus pandas.

Com a morte de Mao, Deng Xiaoping abriu a economia chinesa ao mercado, e até o panda entrou na nova lógica: a China parou de dar pandas de presente e passou a alugar.

A onda começou nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. A China alugou dois pandas por seis meses, a US$ 50 mil por mês cada um. Viraram estrelas. Começou uma corrida entre zoológicos do mundo todo.

Hoje em dia, o contrato de um panda dura geralmente dez anos e o preço pode chegar a um milhão de dólares por ano por casal. Os animais movimentam o turismo e ajudam a vender souvenires, sendo que o momento que mais atrai visitantes é quando nasce um novo filhote. Mas há uma regra importante: todos os pandas nascidos no exterior pertencem à China e precisam ser devolvidos.

Thiago de Aragão, especialista em relações China-América e CEO da Arko Internacional, analisa o valor simbólico dessa prática: