Entre o fracasso do lulismo e a desilusão do bolsonarismo, surge uma alternativa disposta a romper com o passado

Depois da desastrosa passagem de Luiz Inácio Lula da Silva e da igualmente dececionante presidência de Jair Bolsonaro, o Brasil mergulhou num profundo descrédito político. Não é difícil compreender quem olha para o país e conclui que o seu futuro parece cada vez mais incerto.

Quando duas figuras que, em momentos distintos, foram apresentadas como a grande esperança da esquerda e da direita acabam por desiludir uma parte significativa da população, a confiança nas instituições e na própria classe política deteriora-se inevitavelmente. Nesse contexto, qualquer novo candidato parte já com um enorme défice de credibilidade. Nas eleições que se aproximam, poucos parecem escapar a essa desconfiança generalizada.

Há, no entanto, uma exceção que tem vindo a destacar-se: Renan Santos.

Renan Santos tornou-se uma figura relevante da política brasileira após fundar um movimento que desempenhou um papel importante na mobilização que culminou na destituição de Dilma Rousseff da Presidência da República. Anos mais tarde, voltou a ganhar notoriedade ao conseguir criar um partido político em tempo recorde no Brasil, um feito que nem o ex-presidente Jair Bolsonaro conseguiu alcançar.

O currículo, porém, não chega para julgar uma candidatura. O verdadeiro critério de avaliação de qualquer projeto político reside nas ideias que apresenta e na forma como pretende responder aos problemas do país. É precisamente aí que importa olhar para as propostas de Renan Santos.

Inevitavelmente, a segurança pública ocupa um lugar de destaque no seu programa político. É nesta área que Renan Santos apresenta algumas das suas propostas mais ambiciosas. A sua estratégia passa por declarar guerra contra as facções criminosas tratando-as como inimigas do Estado brasileiro e na aplicação do “direito penal do inimigo” aos membros destas, modelo teórico desenvolvido pelo jurista alemão Günther Jakobs.

Contudo, não é apenas na segurança pública que o programa de Renan Santos distingue-se dos restantes. Se, no combate à criminalidade, a prioridade passa por devolver ao Estado a autoridade que considera perdida, na educação o foco desloca-se para uma profunda reforma das instituições e do próprio modelo de ensino. Entre as suas principais propostas estão a recompensa financeira a professores, diretores e alunos que alcancem melhores resultados, bem como um forte investimento no ensino profissional, aproximando a escola das necessidades do mercado de trabalho.

É, porém, na economia que o programa de Renan Santos mais rompe com o modelo político que conduziu o Brasil à estagnação. Em vez de mais Estado e mais despesa,  propõe reformas profundas para libertar a economia brasileira e voltar a colocar o crescimento no centro das prioridades.

No fundo, é precisamente essa rutura que torna Renan Santos uma alternativa particularmente relevante. Lula e Bolsonaro já tiveram a oportunidade de demonstrar aquilo que conseguem fazer pelo Brasil — e os resultados deixaram, em muitos brasileiros, um sentimento de frustração e desilusão. Continuar a alternar entre os mesmos protagonistas, esperando resultados diferentes, não parece ser uma solução.

Renan Santos apresenta-se, por isso, não como uma simples alternativa eleitoral, mas como uma tentativa de romper com o ciclo político que tem marcado o Brasil nas últimas décadas.

É evidente que nenhuma candidatura está isenta de críticas e que algumas das suas propostas são, justamente pela sua ambição, alvo de forte contestação. Mas exigir mudança sem estar disposto a mudar o modelo que conduziu o país até aqui seria uma contradição.

O Brasil não precisa de continuar preso à escolha entre dois passados. Precisa de escolher um futuro. E, entre as alternativas que hoje se apresentam, Renan Santos é, na minha opinião, quem melhor representa essa mudança.