Políticos nordestinos de diferentes gerações e trajetórias dividiam espaço ao lado de Lula. Rafael Peixoto/g1 A presença de nove lideranças nordestinas chamou a atenção durante o discurso da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em São Paulo, no último domingo (25). Políticos de diferentes gerações e trajetórias dividiam espaço ao lado do presidente reeleito. Entre eles, estavam aliados históricos, nomes que ganharam protagonismo na campanha e representantes de uma nova g
Políticos nordestinos de diferentes gerações e trajetórias dividiam espaço ao lado de Lula. Rafael Peixoto/g1 A presença de nove lideranças nordestinas chamou a atenção durante o discurso da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em São Paulo, no último domingo (25). Políticos de diferentes gerações e trajetórias dividiam espaço ao lado do presidente reeleito. Entre eles, estavam aliados históricos, nomes que ganharam protagonismo na campanha e representantes de uma nova geração da esquerda brasileira. Dois dos principais destaques foram o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o senador cearense Camilo Santana (PT). Após participarem das campanhas vitoriosas de seus aliados nos estados, ambos passaram a atuar na campanha pela reeleição de Lula no segundo turno. Agora, seus nomes aparecem nas articulações para a formação do quarto governo do petista. A fotografia também reúne nomes em ascensão, como a deputada estadual pernambucana Rosa Amorim (PT), eleita para a Câmara dos Deputados, e o presidente nacional do PSB, João Campos, que busca ampliar sua projeção política após a derrota na disputa pelo governo de Pernambuco. Em imagens registradas de outros ângulos, é possível identificar os demais integrantes do grupo nordestino: os senadores Humberto Costa (PT) e Teresa Leitão (PT); o advogado-geral da União, Jorge Messias; a senadora eleita por Pernambuco, Marília Arraes (PDT); e a deputada federal eleita pela Bahia, Maria Marighella (PT). As lideranças do Nordeste que compõem a fotografia da vitória de Lula. Amanda Perobelli/Reuters e Arte/g1 O 'governador prodígio' Rafael Fonteles, governador reeleito no PI que ganhou projeção nacional na campanha de Lula Reprodução Aos 41 anos, Rafael Fonteles chegou à fotografia da vitória de Lula credenciado por uma reeleição expressiva no Piauí. O petista venceu ainda no primeiro turno, com 70,90% dos votos válidos, o maior percentual registrado entre os governadores eleitos em 2026. Filho de Nazareno Fonteles, um dos fundadores do PT no Piauí, Rafael se formou em Matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) aos 19 anos e concluiu o mestrado em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) aos 21. Antes de chegar ao governo estadual, atuou como professor, empresário e consultor de investimentos. Entre 2015 e 2022, comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí durante a gestão de Wellington Dias (PT). Disputou sua primeira eleição em 2022 e venceu no primeiro turno. Na ocasião, tornou-se o governador mais jovem eleito no país naquele ano e também o mais jovem da história do Piauí. Em 2026, foi reeleito no primeiro turno, com quase 71% dos votos válidos, e fortaleceu seu grupo político no estado. O resultado foi acompanhado pela derrota do senador Ciro Nogueira (PP), seu adversário político, que não conseguiu renovar o mandato. O Piauí também registrou o maior percentual de votos para Lula no país, acima de 70%. Com esse capital político, Fonteles foi convocado a reforçar a campanha presidencial no segundo turno. Sua atuação ganhou destaque especialmente na estratégia de comunicação digital. O governador chegou a presentear Lula com um celular, com o objetivo de ampliar a comunicação direta do presidente com a população. Fonteles também se destacou no monitoramento dos dados eleitorais, ao antecipar uma possível virada de Lula com base em pesquisas internas e nos primeiros resultados da apuração no exterior. À frente do governo do Piauí, tem apostado em inovação tecnológica e transformação digital na administração pública. Na segurança, uma das iniciativas de maior repercussão é o programa Meu Celular de Volta, desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública do estado para combater roubos e furtos de aparelhos. Segundo dados divulgados pelo governo estadual, os roubos de celulares caíram 53% entre 2022 e 2025. A experiência despertou o interesse do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que estuda incorporar medidas do programa a uma iniciativa nacional. Com a vitória de Lula, Fonteles passou a ser citado nas articulações para assumir o Ministério da Fazenda. O colecionador de vitórias Camilo Santana PH/TVM Outro nome que ganhou protagonismo no segundo turno foi Camilo Santana, de 58 anos. Natural do Crato, na região do Cariri cearense, o senador acumula vitórias eleitorais próprias e de aliados que ajudaram a consolidar sua influência política no Ceará. Camilo foi eleito governador do Ceará em 2014 e reeleito em 2018, ainda no primeiro turno, com quase 80% dos votos válidos. Em 2022, conquistou uma cadeira no Senado com quase 70% dos votos válidos, mas se licenciou do mandato para assumir o Ministério da Educação no governo Lula. À frente do Ministério da Educação (MEC) entre janeiro de 2023 e abril de 2026, Camilo teve entre suas principais iniciativas o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro à permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio. Também priorizou a ampliação do ensino em tempo integral e a retomada de obras educacionais paralisadas. No Ceará, o petista teve papel importante na articulação de candidaturas que conseguiram reverter cenários inicialmente desfavoráveis. Em 2022, foi um dos principais responsáveis pela escolha de Elmano de Freitas (PT) como candidato ao governo estadual. Elmano começou a campanha em terceiro lugar nas pesquisas, mas acabou eleito no primeiro turno. Dois anos depois, Camilo voltou a ter papel de destaque na eleição de Evandro Leitão (PT) à Prefeitura de Fortaleza. Em agosto de 2024, Evandro aparecia com 14% das intenções de voto em levantamento da Quaest. Na época ministro da Educação, Camilo chegou a tirar férias para participar da campanha e se tornou um dos principais articuladores da candidatura. Evandro cresceu nas pesquisas ao longo da disputa e venceu André Fernandes (PL) no segundo turno. Naquele ano, o PT também elegeu 47 prefeitos no Ceará, ampliando sua presença no interior do estado. Em 2026, Camilo voltou a atuar na campanha de Elmano, que enfrentou Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo cearense. O adversário liderava as pesquisas, mas o cenário se inverteu ao longo da campanha, e Elmano conquistou a reeleição no primeiro turno, com 53,19% dos votos válidos. A força política do grupo de Camilo no estado também ficou evidente na vitória dos demais integrantes da chapa governista, que incluía o senador Cid Gomes (PSB) e a senadora eleita Luizianne Lins (Rede). Após participar dessas campanhas vitoriosas, Camilo foi incorporado à coordenação-geral da campanha de Lula no segundo turno, ao lado do presidente nacional do PT, Edinho Silva. Com a reeleição do presidente, passou a ser cotado para assumir a Casa Civil no quarto mandato do petista. As jovens lideranças Rosa Amorim, com blusa vermelha onde se lê "Lula". Divulgação Entre os representantes de uma nova geração da esquerda brasileira estão Rosa Amorim, de 29 anos, e João Campos, de 32. Ambos são pernambucanos, mas chegaram à política por caminhos distintos: ela, pela militância nos movimentos sociais; ele, pela tradição política familiar. Natural de Caruaru, no Agreste pernambucano, Rosa Amorim é filha de Jaime Amorim e Rubneuza Leandro, lideranças históricas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Faz parte da primeira geração de filhos de assentados nascidos em áreas conquistadas pela reforma agrária. Rosa iniciou sua militância ainda na adolescência, em movimentos estudantis e culturais. Filiou-se ao PT em 2022, ano em que disputou sua primeira eleição e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco, aos 25 anos. Em 2026, foi eleita deputada federal com a maior votação entre os candidatos do PT em Pernambuco. Com atuação voltada à reforma agrária, agricultura familiar, segurança alimentar, direitos das mulheres e igualdade racial, Rosa se tornou a primeira mulher ligada ao MST a conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Sua trajetória representa uma geração de parlamentares que chegou à política institucional a partir da militância nos movimentos populares. "Fui a primeira deputada estadual assumidamente sapatão de Pernambuco. A primeira Sem-Terra. Eu quero contribuir para o governo Lula assim, fazendo luta, sendo ponte com os movimentos sociais que me forjaram e que me apoiaram para eu chegar até aqui. Tenho certeza que justamente por isso o Nordeste e a juventude terão muito protagonismo nesse novo mandato", disse a deputada federal eleita. João Campos, por sua vez, é herdeiro de uma das famílias mais tradicionais da política pernambucana. Filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014, e bisneto de Miguel Arraes, que governou Pernambuco por três mandatos, iniciou sua trajetória política na Juventude Socialista Brasileira (JSB). Em 2018, elegeu-se deputado federal aos 24 anos, com a maior votação para a Câmara em Pernambuco naquele ano. Em 2020, foi eleito prefeito do Recife, tornando-se o mais jovem a assumir o comando da capital pernambucana. Quatro anos depois, conquistou a reeleição no primeiro turno, com cerca de 78% dos votos válidos. Em junho de 2025, assumiu a presidência nacional do PSB e participou das negociações para manter Geraldo Alckmin na chapa presidencial de Lula. Na eleição de 2026, foi derrotado no primeiro turno por Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo governo de Pernambuco. Mesmo após a derrota, participou dos esforços pela reeleição de Lula no segundo turno. João ganhou projeção nacional pelo uso das redes sociais, especialmente Instagram e TikTok, como ferramentas de comunicação política. Seu marqueteiro, Rafael Marroquim, passou a integrar a equipe de comunicação da campanha petista. Quem mais estava no palco da vitória Lula cumpre agenda no Recife ao lado de João Campos, Marília Arraes e Humberto Costa. Pedro Alves/g1 Outras cinco lideranças nordestinas de esquerda também estiveram ao lado de Lula no palco da vitória. Entre elas, o senador reeleito Humberto Costa (PT), um dos nomes mais experientes do partido em Pernambuco, e a senadora Teresa Leitão (PT-PE), que assumiu a liderança do governo no Senado em 2026. Outro pernambucano presente foi Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Sua indicação foi rejeitada pelo Senado em abril de 2026, mas há a possibilidade de que seu nome seja apresentado novamente. Marília Arraes (PDT), integrante da tradicional família Arraes, também esteve no palco. Em 2026, foi eleita senadora por Pernambuco. Completa a lista Maria Marighella (PT), eleita deputada federal pela Bahia. Neta do militante comunista Carlos Marighella, ela presidiu a Fundação Nacional de Artes (Funarte) durante o governo Lula.




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