Rafael Carneiro listou pelo menos cinco eixos de supostos crimes eleitorais - Matheus Ribeiro / Folha de Pernambuco A equipe jurídica do candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) anunciou que está ingressando com uma série de ações em diferentes órgãos contra a suposta existência de um "gabinete do ódio" comandado pelo governo Raquel Lyra (PSD) contra o candidato socialista.
Em entrevista coletiva no Novo Hotel, no Recife, na manhã desta quinta-feira (27), o advogado do PSB Nacional, Rafael Carneiro, listou pelo menos cinco eixos de supostos crimes eleitorais envolvendo abuso de poder político e econômico por parte da campanha da governadora.
"Não são acusações nossas, são fatos graves que revelam a efetiva existência de um gabinete do ódio financiado pelo governo do estado de Pernambuco. Revelam a atuação direta da própria governadora. São vídeos, registros públicos, áudios, tudo isso muito bem documentado", disse.
De acordo com o advogado, a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) envolve o uso de ônibus escolares de prefeituras para levar militantes à convenção que oficializou a candidatura de Raquel à reeleição.
Menciona, ainda, o caso de arapongagem contra um secretário do ex-prefeito João Campos pela Polícia Civil do estado, o uso de aeronaves do governo com finalidades eleitorais, o uso de slogans do governo e gastos em um período de restrições eleitorais, além da existência de uma suposta milícia digital organizada pelo Executivo estadual.
“Os fundamentos desse tópico da Aije (vêm) a partir da divulgação por vários veículos de imprensa de uma rede coordenada de perfis, portais e operadores criados e custeados com recursos públicos para atacar sistematicamente João Campos”, alegou.
Consequência De acordo com o advogado, as ações, a depender do entendimento da Justiça, podem levar à cassação da chapa da governadora e candidata à reeleição. "A legislação eleitoral traz (isso) como uma das consequências", disse.
Entre os órgãos acionados estão o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), o Ministério Público Eleitoral (MPE), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE). Segundo Rafael Carneiro, outras ações terão como objetivo investigar o suposto crime de improbidade administrativa por parte da governadora Raquel Lyra.
O advogado sustentou que há indícios de crimes como “lesão ao erário pelo uso de recursos públicos para a prática de ilícitos e para o funcionamento dE gabinete do ódio, enriquecimento ilícito de servidores, além de ofensa aos princípios da administração pública, como a neutralidade do poder público no processo eleitoral”.
Governadora nega Após a exibição da reportagem da TV Record, a governadora Raquel Lyra negou, na quarta-feira (26), que tenha criado um gabinete do ódio contra João Campos e classificou a acusação como “parte do jogo sujo do PSB”. Anunciou também que o servidor apontado como chefe do suposto gabinete foi exonerado.
Mais cedo, a governadora voltou a comentar a questão e rebateu as acusações. Em entrevista à Rádio Grande Rio, na manhã de hoje, revelou que apresentou ao TRE-PE uma lista de perfis supostamente ligados à candidatura adversária e que formariam um gabinete do ódio contra ela.
Ao ser indagado se conhecia alguma ação da campanha de Raquel Lyra nesse sentido, Rafael Carneiro limitou-se a dizer que não discutiria narrativas políticas. “Essa ação que estamos apresentando se baseia em fatos graves noticiados pela imprensa.”
Servidor Amisadai Andrade, apontado pela reportagem da TV Record como principal nome do suposto gabinete do ódio, também poderá ser alvo de punições, segundo Rafael Carneiro. O advogado explicou que ele será denunciado junto à Caixa Econômica Federal, já que é funcionário cedido pelo banco à Secretaria de Turismo do governo de Pernambuco.




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