A deputada federal Erika Hilton criticou a direção nacional do PSol por não cumprir acordos e "privilegiar candidaturas de pessoas cis e brancas"

A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) publicou via redes sociais, nesta terça-feira (23/6), críticas à direção nacional do próprio partido. A parlamentar questionou os critérios adotados para a distribuição de recursos da sigla entre os pré-candidatos. Nesta eleição, o PSol vai receber R$ 131 milhões do Fundo Eleitoral para financiar as campanhas por todo o país.

No post, divulgado na rede social X (antigo Twitter), ela afirmou que a ex-deputada Manuela D’Ávila, “que acabou de chegar ao partido” e é atualmente pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, teria previsão de receber mais que o dobro do que ela.

Erika também disse que o presidente da federação PSol-Rede, Juliano Medeiros, na primeira candidatura, teria prioridade equivalente à dela na divisão de verba.

Na publicação, Erika também destacou que a presidência do PSol não estaria cumprindo acordo firmado com a corrente interna Revolução Solidária, da qual ela faz parte, assim como Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP A parlamentar enfatizou que decidiu não migrar para o PT para ajudar o PSol a superar a cláusula de barreira — regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que restringe o acesso a direitos, como verba e tempo de TV para partidos, conforme percentual de deputados eleitos.

“Nossa responsabilidade nestas eleições é gigante: dar nosso melhor, tudo de nós, para reeleger o presidente Lula e garantir uma bancada de esquerda mais forte, maior, para sustentar o governo e disputar a sociedade. Mas, para isso, o PSol precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, escreveu Erika.

A deputada federal também disse que “fazer campanha no nosso país não é igual para todos”. “Sou uma deputada negra e travesti. Para viajar São Paulo, maior estado do país, puxando votos, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo. Nossos corpos correm riscos que a burocracia do partido não pode simplesmente ignorar, com o risco de inviabilizar nossa pré-candidatura à reeleição, rebaixar o máximo potencial dos nossos votos… e colocar em risco nossa integridade física”, lamentou.

A parlamentar citou outros nomes da sigla, como os deputados estaduais Renata Souza (RJ) e Carlos Giannazi (SP), e o vereador Rick Azevedo (RJ), que, segundo Erika, também estariam com dificuldades no PSol.

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