30 de agosto marca o Dia Nacional de Conscientização sobre a EM, doença de mil faces, segundo Fernanda Meiken Monteiro, diagnosticada há 11 anos
Dentro da campanha Agosto Laranja, o domingo (30) marca o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, doença relacionada à combinação de fatores genéticos e ambientais, que costuma surgir entre os 20 e 50 anos e tem incidência duas vezes maior entre as mulheres. O simbolismo da data foi criado em 2006 para reforçar a importância do diagnóstico precoce para reduzir o agravamento da doença que acomete cerca de 40 mil brasileiros, segundo dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).
Trata-se de uma doença neurológica, crônica e autoimune, ou seja, as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. Estima que cerca de 40 mil brasileiros são pessoas com Esclerose Múltipla.
A Esclerose Múltipla (EM) não tem cura e pode se manifestar por diversos sintomas, como, por exemplo, a fadiga intensa, depressão, fraqueza muscular, alteração do equilíbrio e da coordenação motora, dores articulares, disfunção intestinal e da bexiga.
Embora a doença ainda seja de causas desconhecidas, a EM tem sido foco de muitos estudos no mundo todo, o que tem possibilitado uma constante e significativa evolução na qualidade de vida dos pacientes.
No Brasil, em julho a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação de uso, para a faixa etária pediátrica, do medicamento Ocrevus® (ocrelizumabe), destinado ao tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR).
Agora, o medicamento pode ser indicado para pacientes com 12 anos ou mais e peso corporal igual ou superior a 40 kg. O produto é um anticorpo monoclonal recombinante que contribui para a redução da atividade inflamatória associada à doença.
A esclerose múltipla é considerada uma condição rara no público pediátrico, correspondendo a aproximadamente 3% a 5% dos casos.
Embora menos frequente do que na população adulta, a doença costuma apresentar atividade inflamatória significativa nos pacientes mais jovens, maior frequência de surtos e potencial impacto sobre o desenvolvimento cognitivo, educacional e social, tornando importante o acesso precoce a terapias modificadoras da doença.
Pesquisas que apontam para tratamentos que atacam as células B continuam avançando. Um dos resultados mais recentes veio de um estudo publicado no New England Journal of Medicine, em julho de 2026. O ensaio comparou rituximabe e ocrelizumabe, dois medicamentos que eliminam células B do sistema imunológico.
Em pacientes recém-diagnosticados com EM remitente-recorrente, o rituximabe foi considerado não inferior ao ocrelizumabe para impedir o surgimento de novas lesões na ressonância magnética. A ausência de novas lesões foi de 92,2% com rituximabe contra 94,8% com ocrelizumabe entre os meses 6 e 24.
Isso é relevante porque amplia as evidências de que atacar as células B é uma das estratégias mais eficazes para controlar a atividade inflamatória da EM.
A pesquisa está mudando de foco. Não se trata mais apenas de evitar surtos e novas lesões, mas de tentar impedir que a pessoa acumule incapacidade ao longo dos anos.
Uma das classes mais estudadas é a dos inibidores de BTK (tirosina quinase de Bruton), segundo o PubMed, plataforma de literatura biomédica e de ciências da vida, mantido pelo National Center for Biotechnology Information (NCBI) na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (NLM).
De acordo com pesquisas, os inibidores de BTK conseguem atuar sobre células B e também sobre células da imunidade inata, como macrófagos e micróglia, inclusive em compartimentos do sistema nervoso central que são mais difíceis de atingir pelos medicamentos convencionais.
Os resultados até agora são promissores, mas não significam que os BTK já sejam tratamento padrão.
Alguns medicamentos dessa classe apresentaram resultados diferentes entre os estudos. O tolebrutinibe, por exemplo, não superou a teriflunomida na redução da taxa de surtos nos estudos GEMINI, mas apresentou sinal de benefício sobre a progressão da incapacidade.
Hoje, os medicamentos conseguem principalmente reduzir a inflamação e diminuir a formação de novas lesões. O grande desafio é fazer o sistema nervoso reparar a mielina que já foi destruída.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 analisou 25 estudos clínicos, envolvendo 3.341 participantes e 17 intervenções com potencial de promover remielinização. Entre as estratégias estudadas estão clemastina, opicinumabe, domperidona, L-T3, fenitoína e células precursoras neurais, além de algumas terapias já utilizadas contra a EM.
O problema é que nenhuma dessas estratégias de remielinização pode ser considerada ainda uma solução comprovada e estabelecida. Muitos estudos são pequenos, têm acompanhamento curto ou utilizam marcadores de ressonância e outras medidas indiretas para indicar que a mielina está sendo recuperada.
Trata-se, segundo especialistas, de uma das descobertas que mais mudou a pesquisa sobre EM nos últimos anos.


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