Como sabemos o que funciona? Em um mundo incerto, cheio de tratamentos não testados, políticas controversas e invenções não experimentadas, essa deveria ser uma pergunta urgente. Para um jovem alfaiate empobrecido chamado Franz Reichelt, a resposta foi: descobrimos da maneira mais difícil. Leia mais (06/25/2026 - 20h15)

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25.jun.2026 às 20h15

Tim Harford Colunista no Financial Times

Como sabemos o que funciona? Em um mundo incerto, cheio de tratamentos não testados, políticas controversas e invenções não experimentadas, essa deveria ser uma pergunta urgente. Para um jovem alfaiate empobrecido chamado Franz Reichelt, a resposta foi: descobrimos da maneira mais difícil.

Em fevereiro de 1912, em uma manhã fria de domingo, Reichelt convenceu jornalistas, uma equipe de filmagem e uma pequena multidão a assistirem à demonstração de seu novo paraquedas vestível. A história oficial era que Reichelt jogaria um boneco do primeiro andar da Torre Eiffel, a mais de 50 metros de altura. Reichelt, no entanto, havia avisado os jornalistas de que ele mesmo faria o salto. Caso contrário, suspeita-se, haveria menos espectadores.

O paraquedas é, por acaso, uma espécie de piada recorrente nas políticas baseadas em evidências. Na edição de Natal de 2003 do British Medical Journal, o obstetra Gordon CS Smith e a pesquisadora de saúde pública Jill Pell publicaram uma revisão sistemática sobre "Uso de paraquedas para prevenir morte e trauma grave relacionados ao desafio gravitacional".

Eles observaram, com falso pesar, que "não conseguimos identificar nenhum ensaio clínico randomizado controlado de intervenção com paraquedas" e pediram que "os protagonistas mais radicais da medicina baseada em evidências" organizassem e participassem de um rigoroso ensaio randomizado do paraquedas.

Caso a piada tenha passado despercebida, o argumento satirizado é uma queixa dos defensores de políticas baseadas em evidências. Muitas práticas médicas bem estabelecidas —junto com ideias em policiamento, justiça criminal, educação, economia e além— nunca foram seriamente testadas pelo padrão-ouro das evidências: um ensaio clínico randomizado controlado duplo-cego (ECR). Os defensores dos ECRs sugerem que isso é um escândalo. Será?

Deixe essa pergunta no ar por um momento, porque 15 anos depois —novamente na edição de Natal do BMJ— uma equipe de pesquisadores detonou uma bomba de evidências. Eles haviam conduzido o tão esperado ensaio randomizado do paraquedas —e descobriram que paraquedas não eram melhores em prevenir lesões graves ou morte do que uma mochila vazia.

Qualquer pessoa surpresa com esse resultado precisa apenas consultar as letras miúdas: ninguém no ensaio havia sofrido qualquer lesão digna de nota após saltar de uma aeronave, e isso porque o fizeram "em altitude significativamente mais baixa... e velocidade mais baixa". Para ser mais específico, eles saltaram de "pequenas aeronaves estacionárias no solo". Mais uma sátira hilária do BMJ.

Há lições sérias aqui, para aqueles que conseguem parar de rir. A primeira é que, sim, não há necessidade de um ECR de uma tecnologia —como o paraquedas— cujos benefícios são indiscutíveis. A segunda é que os próprios ECRs não necessariamente provam nada: os pesquisadores sugerem "extrapolação cautelosa para saltos em alta altitude".

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É impressionante quão imprudente a extrapolação pode ser, particularmente em comunicados de imprensa e resumos midiáticos sensacionalistas. Um pequeno estudo de crianças de creche desenhando é generalizado para se tornar uma teoria completa da motivação humana. Grandes alegações sobre os benefícios ou riscos de um aditivo alimentar se equilibram sobre a base questionável de pesquisas em camundongos de laboratório.

A randomização não é nem a única rota para o conhecimento, nem uma garantia de verdade eterna. Mas é uma ideia muito boa —o que pode ajudar a explicar por que houve ensaios randomizados sérios, mesmo de paraquedas. Como Andrew Leigh explica em "Randomistas" (2018), "experimentos sobre eficácia e segurança de paraquedas são generalizados".

Alguns deles usam bonecos de teste, enquanto outros investigam detalhes de técnica ou equipamento: paraquedistas têm seis vezes mais chances de sofrer uma entorse de tornozelo se saltarem sem uma tornozeleira. Pois é.

Uma razão importante para usar alguma forma de randomização é que ela elimina todos os tipos de potenciais fatores de confusão. Turmas pequenas ajudam os alunos a prosperar? Você não vai descobrir isso simplesmente comparando uma escola pública superlotada e sem recursos da periferia com uma escola particular generosamente financiada: os tamanhos das turmas podem diferir, mas todo o resto também difere. Se você quer aprender sobre aprendizagem, conduza um experimento randomizado.