Esporte pode ajudar crianças com TDAH a desenvolver confiança e novas habilidades Psicólogo explica como atividades esportivas podem favorecer atenção, planejamento e autorregulação sem transformar o diagnóstico em motivo de cobrança     A prática esportiva pode abrir um espaço importante para crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) desenvolverem habilidades, fortalecerem a confiança e ampliarem experiências de convivência. O cuidado, segundo especialistas, está em não transformar o esporte em uma tentativa de “corrigir” características relacionadas ao diagnóstico ou em mais um ambiente de cobrança por desempenho.

No livro TDAH Futebol Clube, o psicólogo clínico infantojuvenil Tiago Gonçalves usa o futebol como cenário para acompanhar a trajetória de Rafinha. A partir das situações vividas pelo personagem, o autor mostra como atividades esportivas podem estimular funções executivas importantes, entre elas atenção, planejamento, controle inibitório, flexibilidade cognitiva e autorregulação. No futebol, essas habilidades aparecem em situações bastante concretas. A criança precisa acompanhar uma jogada, perceber mudanças no ambiente, respeitar regras, esperar a própria vez e lidar com erros ou decisões do árbitro. “A criança não pratica esporte para ‘deixar de ter TDAH’. O objetivo deve ser oferecer experiências nas quais ela possa exercitar essas habilidades de maneira significativa, prazerosa e contextualizada”, explica Gonçalves. O impacto também pode chegar à autoestima. Para o psicólogo, perceber que é possível aprender, melhorar e superar dificuldades contribui para a construção da sensação de competência. Nesse processo, algumas crianças podem precisar de instruções mais objetivas, maior número de repetições ou estratégias diferentes para demonstrar aquilo que sabem, sem que isso signifique reduzir as expectativas sobre seu desenvolvimento. Esse olhar ganha importância porque comportamentos relacionados ao TDAH podem fazer com que crianças recebam críticas frequentes de adultos e colegas. Experiências positivas no esporte ajudam a ampliar a forma como elas percebem a si mesmas, evitando que a identidade fique restrita ao diagnóstico. Gonçalves relaciona esse processo à autoeficácia, a crença de que uma pessoa é capaz de enfrentar desafios e aprender.