Já faz um tempo que esfriou o namoro de Jair Bolsonaro (PL) com jogadores de videogame . Agora, quem tenta cortejá-los é a esquerda. Leia mais (09/13/2026 - 23h00)

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

13.set.2026 às 23h00

Edição Impressa Diminuir fonte

Já faz um tempo que esfriou o namoro de Jair Bolsonaro (PL) com jogadores de videogame. Agora, quem tenta cortejá-los é a esquerda.

Uma das principais pautas políticas que pairam sobre o setor de jogos eletrônicos no Brasil e no mundo hoje tem a ver com as mídias físicas —os fabricantes querem acabar com elas e colocar tudo na nuvem. Para críticos, isso impacta os consumidores, mas também a preservação da memória dos games.

No Congresso, quem tomou a dianteira no debate foi a esquerda. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Secretaria Nacional do Consumidor e pediu uma investigação da Sony, após a fabricante ter anunciado que vai parar de produzir jogos em mídia física para novos lançamentos de PlayStation a partir de 2028.

Já Jandira Feghali (PC do B-RJ) apresentou um projeto de lei que visa evitar que o consumidor perca o acesso ao jogo eletrônico que comprou, sobretudo no caso de jogos que dependem de servidores para funcionar.

"A direita construiu uma identificação de que ser gamer era ser de direita, mas isso não corresponde à realidade. É uma disputa. E a esquerda nunca fez isso dessa mesma forma", diz a pesquisadora Isabela Kalil, professora na Fespsp (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), onde coordena o Laboratório de Etnografia Digital.

Por isso, chama a atenção duas parlamentares de esquerda terem encabeçado a pauta.

"Eu sinto que a esquerda está se abrindo mais ao tema e, atualmente, tem se posicionado mais nessa pauta do que a direita, que em geral se apropriava mais dessa área, ainda que de forma superficial", diz Pedro Zambon, pesquisador e fundador da Savegame.dev.

Gaules, um dos maiores streamers de games do país, não só declarou apoio a Jair Bolsonaro em 2018 como foi praticamente um cabo eleitoral. No ano seguinte, outro peixe grande, Gabriel Toledo, conhecido como FalleN, conversou ao telefone com o então presidente sobre impostos no setor.

Chegou a pandemia, e a forma como Bolsonaro lidou com a Covid fez com que eles se distanciassem do então mandatário.

Do outro lado, porém, é difícil ver streamers declarando apoio de forma apaixonada ao presidente Lula (PT). Em 2022, Casimiro Miguel disse que votaria em Lula, mas que não iria "fazer o L" pelo petista. "Eu não sou esse cara", disse.

Alan Ferreira, o Alanzoka, também declarou apoio com ressalvas. "O pessoal acha que eu amo o 'L', né? Não gosto, não, mas o outro é ruim demais."

Já Cellbit fez um "L" tímido com o indicador e o polegar durante uma live em 2022, o que foi suficiente para, anos depois, enfurecer Nikolas Ferreira (PL-MG).

"A cultura e a identidade gamer estão, de alguma forma, consolidadas", afirma Thiago Falcão, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). "Então é esperado que a esquerda tente ocupar essas pautas. Mas ocupa muito mal, porque ninguém sabe do que está falando. A verdade é essa. Não são pessoas ligadas à cultura gamer."

"Acho que a investida da esquerda [em games] não deve gerar efeitos", prevê Kim Kataguiri (Missão-SP), deputado que possui mais de 4.300 horas registradas jogando "Dota 2" e autor do projeto que culminou no Marco Legal dos Games.