A implementação do Enamed (Exame Nacional de Medicina) como critério obrigatório para a exercer a profissão médica acendeu um debate dentro e fora das salas de aula dos cursos de medicina. Leia mais (06/28/2026 - 11h00)
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
28.jun.2026 às 11h00
A implementação do Enamed (Exame Nacional de Medicina) como critério obrigatório para a exercer a profissão médica acendeu um debate dentro e fora das salas de aula dos cursos de medicina.
O governo federal publicou medida provisória que estabelece que os estudantes realizem o Enamed no quarto e no sexto ano da graduação, exigindo um desempenho mínimo no final do curso para que os recém-formados possam exercer a profissão.
Na opinião dos estudantes ouvidos pela Folha, a criação de um exame de proficiência é um passo necessário para a medicina.
Para Bernardo Ciminelli, estudante de medicina na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a existência do exame nas atuais circunstâncias é favorável, mas ressalta que a medida não combate a principal causa do problema —e a regulação do governo acaba focando apenas a consequência.
O problema seria a expansão desenfreada das faculdades de medicina. Instituições privadas e decisões judiciais e liminares impulsionam esse crescimento. "Essas faculdades às vezes não têm hospital universitário, não têm um corpo docente muito bem qualificado, não têm uma infraestrutura básica", diz.
"Você está dizendo que autorizou a abertura daquela faculdade, permitiu que um aluno cursasse seis anos, para no final falar: 'Espera aí, então essa faculdade não te prepara tão bem assim'. Parece uma contradição para mim", questiona Ciminelli.
Para Raphaella Marques, estudante do nono semestre de medicina na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), o aumento de novos profissionais no mercado justifica uma avaliação.
"Há um aumento significativo no número de médicos se formando todos os anos e nem todos saem da graduação com a competência necessária para exercer a profissão de forma segura", afirma.
Para Marques, a avaliação trará benefícios tanto para a população quanto para a própria categoria, funcionando inclusive como um incentivo para que as instituições de ensino invistam mais na qualidade da formação oferecida.
Gabriel Jie Bang, estudante do quarto ano de medicina da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), concorda com a percepção de urgência em relação à segurança dos pacientes.
O exame, diz, é necessário para avaliar se os novos profissionais estão de fato aptos para o mercado de trabalho. Ele também aponta que a realidade prática expõe lacunas na formação atual.
"É muito frequente nos depararmos com situações em que um colega médico acaba conduzindo um paciente de maneira inadequada", afirma o estudante.
Outra questão levantada pelos universitários é o impacto negativo que a obrigatoriedade do teste pode causar na dinâmica pedagógica das faculdades. O teste pode esvaziar a importância das atividades práticas, segundo eles.
Raphaella Marques aponta o risco de as instituições focarem excessivamente o desempenho teórico dos alunos no Enamed. "O modelo pode fazer com que o ensino seja direcionado mais para a aprovação em testes do que para a formação prática do futuro médico."



0 Comentário(s)
Deixe seu comentário