China utiliza espionagem, pressão econômica e operações digitais para ampliar sua influência sobre setores estratégicos da Holanda e fortalecer sua liderança industrial global, segundo relatório do Centro de Estudos Estratégicos de Haia (HCSS).
O estudo afirma que Pequim explora a governança aberta do país para atingir empresas e infraestruturas consideradas estratégicas, especialmente nos setores de semicondutores, marítimo e aeroespacial. Os pesquisadores defendem maior coordenação entre os serviços de inteligência, reforço da triagem de segurança e uso mais estratégico das vantagens tecnológicas holandesas.
O setor de semicondutores é apontado como o mais vulnerável. A Holanda abriga a ASML, única empresa do mundo a fabricar máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV), essenciais para a produção dos chips mais avançados.
Segundo Hans Horan, um dos autores do relatório, obter acesso ao conhecimento e às empresas holandesas tem valor estratégico para a China, que recorre a recrutamento de talentos, coerção da diáspora e infiltração acadêmica para obter propriedade intelectual. Casos envolvendo a ASML ilustram essa estratégia.
O relatório também cita as restrições chinesas às exportações de terras raras, adotadas em 2025, como exemplo do uso de dependências econômicas para exercer pressão. A ASML chegou a manifestar preocupação de que a medida pudesse atrasar entregas, já que seus equipamentos dependem desses materiais.
Os pesquisadores afirmam que a resposta do governo holandês é limitada por restrições legais e pela relutância da União Europeia em acionar seu instrumento anticoerção, criado justamente para responder a pressões econômicas de países terceiros.
No setor marítimo, o estudo destaca a participação das estatais chinesas Cosco Shipping Ports e China Merchants Port Holdings no Porto de Roterdã e alerta para riscos de espionagem cibernética, acesso a dados e interrupções que poderiam afetar cadeias de suprimentos, o abastecimento de energia e a logística da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Para reduzir as vulnerabilidades, o HCSS recomenda reforçar a verificação de antecedentes em instalações sensíveis e substituir equipamentos chineses em infraestruturas críticas. Segundo o relatório, em uma eventual crise envolvendo Taiwan, a influência chinesa sobre setores estratégicos poderia limitar a capacidade de resposta e a autonomia da Holanda.



0 Comentário(s)
Deixe seu comentário