O fundador do SoftBank Group, Masayoshi Son, afirmou que a infraestrutura global de inteligência artificial exigirá investimentos de US$ 5 trilhões por ano até 2040, impulsionados pela expansão de data centers, fontes de energia e robôs humanoides.

Em discurso no evento anual do grupo, realizado na terça-feira (14) em Tóquio, Son disse que os gastos serão justificados pelo crescimento da chamada superinteligência artificial (ASI), que, segundo ele, transformará a economia e gerará novos lucros.

A estimativa é quase sete vezes superior aos US$ 725 bilhões que Amazon, Microsoft, Alphabet e Meta esperam investir juntas em 2026 em infraestrutura de IA, incluindo data centers, semicondutores e equipamentos de rede.

Um dos principais defensores da tecnologia, Son voltou a rejeitar a ideia de que a inteligência artificial esteja em uma bolha, comparando o ceticismo atual com as dúvidas que surgiram nos primeiros anos da internet.

O SoftBank já se comprometeu a investir cerca de US$ 64,6 bilhões na OpenAI, dona do ChatGPT, o que daria ao grupo japonês uma participação de aproximadamente 13% na empresa. A companhia também lidera o projeto Stargate, iniciativa de infraestrutura de IA da OpenAI que prevê investimentos de US$ 500 bilhões nos Estados Unidos.

Segundo Son, a atividade ligada à IA poderá representar cerca de 20% da economia global até 2040, ou aproximadamente US$ 46 trilhões, e empresas do setor poderão responder por cerca de 80% da capitalização do mercado mundial, devido ao alto crescimento e às margens de lucro elevadas.

O executivo projetou margens próximas de 50% para o setor e afirmou que o fluxo de caixa gerado tornará sustentável a expansão da infraestrutura. As estimativas, porém, são projeções próprias e não foram acompanhadas de uma metodologia detalhada.

Son afirmou que a IA transformará setores como indústria, finanças, infraestrutura, saúde e pesquisa científica, criando uma economia "centrada em agentes", na qual até 100 trilhões de agentes de IA poderiam se comunicar e executar tarefas continuamente. Ele também previu a adoção de 1 bilhão de robôs humanoides, cada um com capacidade equivalente ao trabalho de cerca de dez pessoas. "Não será mais uma sociedade centrada no ser humano", disse Son.

O executivo também alertou para o forte aumento da demanda por energia. Segundo ele, apenas os data centers de IA precisarão de 3 terawatts de eletricidade até 2040, cerca de 1,8 vez o consumo global atual, com acréscimos de aproximadamente 1 terawatt por ano depois disso.

Para o curto prazo, Son afirmou que o gás natural deve ser uma das principais fontes de energia, enquanto a fusão nuclear poderá se tornar uma alternativa mais barata e limpa no futuro.

Ele ainda pediu que empresas japonesas aproveitem a oportunidade da IA e evitem repetir o fracasso do país em criar gigantes globais da internet. Segundo Son, os primeiros 20 anos de cada ciclo tecnológico costumam definir seus vencedores.

"Não vou me limitar ao Japão de forma alguma", afirmou, acrescentando que o SoftBank manterá o foco nos Estados Unidos, que considera o centro da economia da IA.