Levantamento aponta crescimento do trabalho por aplicativos e revela diferenças de renda, jornada e proteção previdenciária no Brasil O post Estudo mostra que trabalho por aplicativo cresce no Brasil, mas informalidade dispara apareceu primeiro em Olhar Digit…

O Brasil registrou cerca de 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025. Os números do IBGE mostram o avanço dessa modalidade no mercado de trabalho brasileiro.

Apesar do crescimento, o estudo aponta rendimentos menores por hora, jornadas mais longas e menor proteção social entre os profissionais que têm as plataformas como principal atividade.

Ao todo, 1,8 milhão de pessoas tinham as plataformas digitais como principal atividade. Esse número representa um crescimento de 9,1% em um ano e de 36,8% frente a 2022.

A maioria dos trabalhadores é formada por homens, que representam 84,4% do grupo. Entre motoristas e entregadores, a falta de alternativas no mercado de trabalho tradicional foi o principal motivo apontado para a adesão aos aplicativos, seguida pela busca por flexibilidade de horários.

O levantamento detalha alguns dos principais números dessa modalidade:

A comparação com trabalhadores do setor privado que não atuam por plataformas mostra uma diferença importante na jornada. Quem trabalha por aplicativos cumpre, em média, 5,4 horas a mais por semana para obter uma renda equivalente.

Na média por hora trabalhada, o valor fica em R$ 16,20 para os profissionais de plataformas. O montante é 12% inferior aos R$ 18,40 recebidos por hora pelos trabalhadores não plataformizados.

A informalidade também afeta o acesso a direitos como descanso semanal remunerado, férias e 13º salário. Na Previdência, apenas 34% dos profissionais de aplicativos contam com cobertura, contra 63% entre os demais trabalhadores da iniciativa privada.

Com isso, mais de dois terços desse contingente ficam sem cobertura previdenciária para benefícios como auxílio por incapacidade temporária, pensão por morte e aposentadoria.

A procuradora Clarissa Ribeiro Schinestsck, responsável pela cooperação entre MPT, Unicamp e IBGE, destacou a situação:

“A transformação digital e o uso de novas ferramentas tecnológicas não podem significar a desconstrução dos direitos sociais nem a normalização de jornadas exaustivas sob o manto de uma falsa autonomia. O que o estudo comprova, de modo irrefutável, é a sobrecarga e o desamparo previdenciário enfrentados diariamente por esses trabalhadores. O convênio mantido entre o MPT, a Unicamp e o IBGE é fundamental para fornecer elementos fáticos e sólidos à sociedade e aos órgãos públicos, orientando a atuação institucional e a indispensável regulação que respeite a dignidade do trabalhador.”

Para o pesquisador José Dari Krein, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, a pesquisa reforça a precariedade do trabalho por plataformas, com piora nos indicadores de proteção previdenciária, rendimento por hora e jornada em relação a 2024.

As plataformas combinam baixa proteção social, jornadas extensas e menores rendimentos por hora, mantendo o controle sobre preços, clientes e organização da atividade. A tecnologia não elimina a subordinação: modifica seus instrumentos, enquanto transfere custos e riscos aos trabalhadores.

Os dados da pesquisa mostram o crescimento do trabalho por aplicativos ao mesmo tempo em que revelam diferenças nas condições de jornada, rendimento e proteção social em relação aos demais trabalhadores do setor privado.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.