Um estudo da Ufac, Ifac e Embrapa sobre a atividade antioxidante de feijões crioulos do Vale do Juruá ganhou o prêmio de melhor trabalho em congresso internacional.
COMPARTILHAR0SigaSiga Google Discover Análise fitoquímica encontrou alta concentração de antocianinas em sementes/ Foto: Reprodução Um mapeamento científico sobre as propriedades nutricionais de feijões crioulos cultivados no Vale do Juruá, no interior do Acre, recebeu o prêmio de melhor trabalho científico no 2º Congresso Internacional de Alimentos Funcionais da Amazônia. O evento acadêmico, organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ocorreu entre os dias 10 e 12 de junho, em Manaus (AM).
Financiada com recursos do Banco da Amazônia (Basa) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (Fapac), a pesquisa concentrou as análises em três variedades crioulas de feijão-caupi (Vigna unguiculata). Essas linhagens são historicamente manejadas por comunidades ribeirinhas em áreas de praias e barrancos nos ecossistemas do Alto Juruá.
Os testes laboratoriais apontaram duas frentes de destaque fitoquímico:
Feijão preto de praia: Registrou altos índices de antocianinas, pigmentos naturais com forte ação protetora celular.
“Esses resultados nos trazem o cenário mais provável em que o feijão preto de praia apresenta atividade antioxidante pela presença de fenólicos, dos quais as antocianinas sejam as principais. Já a variedade ‘quarentão’ é rica em fenólicos incolores, como ácidos fenólicos e flavonoides não pigmentados, apresentando elevada capacidade antioxidante”, detalhou o professor da Ufac, Eduardo Pacca Luna Mattar.
A premiação em Manaus impulsiona a defesa do modelo de agricultura familiar do extremo oeste acreano. O Vale do Juruá é oficialmente candidato a receber o reconhecimento de patrimônio da humanidade, chancela concedida a locais que preservam sistemas agrícolas tradicionais e biodiversidade agrossilvipastoril.
De acordo com o comitê científico do projeto, o comportamento biológico de outras dezenas de sementes crioulas cultivadas na calha do rio Juruá permanece desconhecido pela literatura médica e de alimentos. O grupo interdisciplinar mantém novas fases de ensaios de campo em andamento para catalogar os compostos bioativos do restante das variedades locais.




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