EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; Chefe do USTR confirma conclusão da investigação comercial
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 15, a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, conforme declarado por Jamieson Greer, chefe do USTR, em coletiva de imprensa. A medida, que exclui café e carne bovina, mas inclui etanol, resulta de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil, como restrições ao comércio digital e favorecimento ao Pix.
O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira, 15, a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O anúncio foi feito pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, durante entrevista coletiva convocada para apresentar o resultado da investigação sobre práticas comerciais do Brasil.
INSCREVA-SE O chefe do USTR disse que o governo norte-americano divulgará posteriormente a relação completa dos produtos atingidos pela medida.
Até o momento, o governo não publicou o documento oficial. O governo norte-americano informou, contudo, que café e carne bovina ficarão fora da cobrança adicional. O etanol, por sua vez, entrará na lista de produtos tarifados.
Na semana passada, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve nos Estados Unidos para discutir o tema e tentar evitar a imposição das tarifas. Nenhum representante oficial do governo Luiz Inácio Lula da Silva participou das negociações em território norte-americano.
Segundo o governo norte-americano, a tarifa se baseia em práticas consideradas injustas nas relações comerciais com o Brasil. Entre elas estão restrições ao comércio digital, favorecimento ao Pix, barreiras tarifárias, questões relacionadas à propriedade intelectual, corrupção e desmatamento.
Até o momento, o governo brasileiro não se manifestou publicamente sobre a decisão.
O novo tarifaço, o segundo em um ano, decorre de uma investigação aberta em julho do ano passado com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974.
Mais cedo, o USTR informou a representantes do governo Lula que havia encaminhado ao presidente Donald Trump a recomendação final para a adoção das novas tarifas. Durante uma reunião virtual realizada na terça-feira, 14, Greer declarou encerradas as negociações.
O chefe do USTR criticou a condução do governo brasileiro nas tratativas, afirmou que eles ainda poderão ampliar a lista de produtos isentos e responsabilizou o governo Lula pela falta de acordo.
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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e os embaixadores Maurício Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República, contestaram a avaliação.
Também na noite de terça-feira, o presidente Lula assinou o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica. A medida foi apresentada pelo governo como resposta à decisão dos Estados Unidos de impor tarifas sobre produtos brasileiros.
O Congresso Nacional aprovou a Lei da Reciprocidade Econômica em abril. Com a regulamentação, o governo brasileiro passa a ter respaldo para adotar medidas de retaliação comercial, como elevar tarifas sobre produtos e serviços de países que imponham restrições ao Brasil.
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