Gestão Trump tem incentivado o aumento da produção e do uso de combustíveis fósseis
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A decisão dos Estados Unidos de escantear um compromisso climático crucial aumentou a probabilidade de o planeta aquecer mais do que se estimava anteriormente. O cenário é apontado em um relatório científico das Nações Unidas divulgado no dia 21 do mês passado.
Em seu relatório anual sobre a lacuna de emissões, a ONU apontou os EUA como uma exceção entre as nações industrializadas responsáveis pela maior parte da poluição que aquece o planeta.
Entre as nações industrializadas do G20, observou o relatório, o crescimento de emissões desacelerou de modo geral em 2025, "sendo os Estados Unidos da América a principal exceção".
Isso ocorreu após um ano de aumento da demanda por eletricidade, impulsionado pela rápida construção de data centers destinados a atender à inteligência artificial, além de um inverno rigoroso na América do Norte, que levou a um maior uso de combustíveis fósseis para aquecimento.
Porém, a medida mais relevante dos americanos, em termos de seu impacto global sobre as mudanças climáticas, foi abandonar o compromisso de reduzir emissões, algo que havia sido assumido em 2024 durante o governo do democrata Joe Biden.
O Acordo de Paris, que estabelece como meta limitar o aumento da temperatura a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, determinou que os países atualizassem e reforçassem esses compromissos a cada cinco anos. Eles são considerados os pilares para alcançar as metas globais de contenção do aquecimento.
No entanto, no dia de sua posse, Donald Trump anunciou que retiraria os EUA do Acordo de Paris, abandonando a luta contra as mudanças climáticas. A gestão do republicano tem incentivado o aumento da produção e do uso de combustíveis fósseis, cuja queima libera os gases de efeito estufa que estão aquecendo perigosamente o planeta.
Se os demais países cumprirem seus compromissos, a Terra aquecerá 2,6°C neste século em relação à era pré-industrial. Essa estimativa é 0,3°C superior a uma estimativa comparável feita no ano passado. Em torno de metade desse aumento decorre da retirada do compromisso climático dos Estados Unidos, afirmou o relatório da ONU.
Os cientistas ressaltam que cada fração de grau de aquecimento adicional aumenta a probabilidade de ondas de calor mais letais, tempestades mais intensas e outros eventos extremos.
Taylor Rogers, porta-voz da Casa Branca, afirmou que as Nações Unidas estavam "promovendo a farsa woke da energia verde e pressionando países do mundo inteiro a pôr em risco sua segurança econômica e nacional para cumprir metas climáticas arbitrárias".
As projeções de aquecimento até o fim do século apresentadas no relatório da ONU se baseiam em muitas premissas e refletem um cenário nos EUA em que políticas climáticas ao estilo de Trump continuam em vigor muito depois do fim de seu mandato.
Sem citar nenhum país, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apontou uma "lacuna de liderança" e afirmou que "os governos precisam ir muito mais longe e agir com muito mais rapidez" na expansão das energias renováveis e na eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
Inger Andersen, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, afirmou que "estamos vendo, e continuaremos a ver, impactos em todos os países, incluindo os Estados Unidos".
Mesmo antes de Trump desmantelar as políticas climáticas, o mundo já caminhava para ultrapassar em muito as metas do Acordo de Paris.




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