EUA dizem ter lançado 'ataques poderosos' contra o Irã
Os Estados Unidos informaram na noite de ontem (horário de Brasília) ter lançado "uma série de ataques poderosos contra o Irã" após ataques a petroleiros no Estreito de Hormuz, em meio às negociações entre Teerã e Washington sobre o fim da guerra no Oriente Médio. Explosões foram ouvidas no Irã. Chanceler do Irã diz que ataque dos EUA viola acordo e adverte sobre ações "decisivas".
Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês) declarou que as ações são respostas a ataques iranianos. Eles comunicaram que a medida visa impor custos pesados ao Irã pelo ataque a "tripulações de navios comerciais formados por civis inocentes em uma via navegável internacional".
Os norte-americanos acusaram Teerã de atacar três embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Hormuz. O presidente norte-americano, Donald Trump, ainda não comentou sobre o ataque americano.
Mais de 80 alvos foram atingidos, segundo os EUA. Foram atingidos sistemas de defesa aérea iranianos, redes de comando e controle, e instalações de radar costeiro.
A agressão demonstrada pelo Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo.Comando Central dos EUA no X
Ataques tiveram como alvo sistemas de defesa aérea iranianos, sistemas de vigilância costeira, mísseis terra-ar, mísseis de cruzeiro antinavio e bases de lançamento de drones. Informação foi repassada por uma autoridade norte-americana à Reuters sob condição de anonimato.
Explosões foram ouvidas na cidade portuária de Sirik, no sul do Irã. A informação foi divulgada pela mídia estatal, segundo a ABC News. A emissora estatal iraniana Press TV informou sobre novas explosões na ilha de Qeshm, acrescentando que várias explosões também foram ouvidas na ilha de Kharg, no Estreito de Hormuz.
Estados Unidos revogaram a licença que suspendia temporariamente as sanções ao petróleo do Irã. A medida de Washington ocorreu depois que três petroleiros, entre eles um navio do Qatar que transportava GNL (gás natural liquefeito), serem atingidos por projéteis com poucas horas de diferença em Hormuz, segundo monitores marítimos e o Qatar.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão dos EUA de suspender a licença. O país afirmou que a decisão fere o memorando de Islamabad para encerrar a guerra e declarou ainda que tomaria todas as medidas que considerasse necessárias para salvaguardar seus interesses e sua segurança nacional. A chancelaria também criticou os EUA pela contínua violação do acordo, inclusive, pelos ataques israelenses em território libanês —item importante do memorando, divulgou a Al Jazeera.
O Irã emite um sério alerta sobre as consequências do descumprimento do tratado por parte dos Estados Unidos e tomará medidas decisivas para proteger seus interesses e sua segurança nacional.Ministério em um comunicado publicado no Telegram pela agência de notícias Irib
O Irã afirma ter atacado 85 instalações militares dos Estados Unidos localizadas no Bahrein e no Kuwait com mísseis e drones. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou ter feito uma operação conjunta com forças navais e aeroespaciais. A ação mirou locais estratégicos das forças americanas na região do Golfo Pérsico.
Os alvos principais foram a base de Bandar Salman, o Quinto Distrito Naval no Bahrein e a Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait. Sirenes de alerta soaram nos dois países árabes durante a ofensiva.
As forças iranianas também afirmam ter derrubado um drone militar dos Estados Unidos. O modelo abatido seria um MQ-9 Reaper, que, segundo a emissora estatal iraniana Press TV, tentava interferir na operação no sul do país.
O exército do Kuwait confirmou que suas defesas aéreas agiram para conter ataques hostis. Os militares kuwaitianos informaram que interceptaram mísseis e drones em seu espaço aéreo.
Até o momento, não há relatos confirmados de vítimas ou de danos materiais graves. As forças armadas dos Estados Unidos ainda não se manifestaram oficialmente sobre as declarações do Irã.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou os EUA de violarem o Memorando de Entendimento que Trump assinou no mês passado para iniciar negociações com o objetivo de pôr fim à guerra que já dura quatro meses. As negociações intermitentes não produziram nenhum acordo até o momento, e Qalibaf disse em uma postagem no X: "Não vamos ceder".
Major MOU Violations by the US:Violating Iranian adjustments in the StraitPersistent threats of further strikesReinstating oil sanctionsAttacks on southern IranContinued Zionist aggression on🇱🇧The era of bullying and extortion is over. It leads nowhere. We don't fold.
Mais cedo, agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um "projétil desconhecido" atingiu um petroleiro. A ação provocou um incêndio, antes que outras duas embarcações fossem atingidas, pelo menos uma delas por um drone.
Os três navios foram atacados nas proximidades de Omã. O país havia proposto um corredor temporário de trânsito ao longo de sua costa, uma iniciativa à qual o Irã se opõe enquanto busca impor taxas aos navios que utilizam a estreita passagem marítima.
O Qatar informou que uma das embarcações era seu navio metaneiro de GNL Al-Rekayyat. Eles responsabilizaram o Irã, denunciando um ataque "inaceitável" contra a navegação marítima internacional. "Consideramos o Irã plenamente responsável, do ponto de vista jurídico, por esse ataque e por quaisquer danos ou consequências dele resultantes", escreveu na plataforma X o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Qatar, Majed Al Ansari.




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