Em audiência do USTR, Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo vão defender que tarifa dos EUA fortalecer Lula e aproxima Brasil da China
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o jornalista bolsonarista Paulo Figueiredo vão participar, na próxima segunda-feira (6/7), de uma audiência pública no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação comercial aberta contra o Brasil. A sessão vai debater a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros.
O Metrópoles teve acesso aos documentos enviados pelo senador e o jornalista ao USTR, com os argumentos que serão apresentados na audiência. Nos discursos, eles vão culpar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelas “práticas desleais” de comércio que os EUA acusam o Brasil de cometer.
Em documento enviado ao USTR, Paulo Figueiredo cita que as acusações dos EUA contra o Brasil são fruto de ações do governo petista e do Supremo Tribunal Federal (STF), com destaque para o ministro Alexandre de Moraes.
No documento encaminhado ao USTR, Flávio anexou uma série de reportagens com supostas “hostilidades” de Lula contra os Estados Unidos, o dólar e o governo de Donald Trump.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles No argumento do candidato do PL à presidência da República, o governo Lula estaria intencionalmente gerando atritos diplomáticos com os EUA para provocar retaliações.
“Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro justamente pela estratégia que ele tem adotado: obstaculizar negociações sérias, provocar retaliações por parte de Washington e, em seguida, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, reiterou.
O parlamentar pede que o governo Trump suspenda a aplicação de sobretaxas ao país, ao menos até a realização das eleições presidenciais no Brasil.
“Os Estados Unidos têm um interesse consolidado em não tomar medidas econômicas de grande porte contra uma democracia estrangeira nas semanas anteriores a uma eleição nacional disputada, onde a ação corre o risco de ser retratada […] como uma tentativa de influenciar o resultado”, escreveu o senador. “Adiar a implementação até depois das eleições elimina essa caracterização”, diz.
O jornalista Paulo Figueiredo adotará um discurso semelhante. O bolsonarista vai argumentar que uma tarifa geral sobre produtos brasileiros atingiria “o alvo errado”, já que, na visão dele, a medida não atinge quem ele aponta como responsável, mas sim exportadores, trabalhadores, consumidores e empresas dos dois países.
Outro ponto central é o efeito político. Segundo o jornalista, o Palácio do Planalto usaria o embate com os EUA para falar em “defesa da soberania” na campanha de 2026. Ou seja, a sobretaxa ajudaria Lula eleitoralmente.
No texto, Figueiredo cita decisões judiciais contra opositores e processos contra brasileiros que moram nos EUA como exemplo de “perseguição política” coordenada entre o governo de Lula e ministros do STF.
Nos documentos, Bolsonaro e Figueiredo apontam que sanções comerciais contra o Brasil podem aproximar o país da China. O resultado, na avaliação deles, seria mais influência chinesa na América do Sul e menos espaço para os EUA.
Por isso, Figueiredo defende que a Casa Branca mire pessoas específicas, com sanções com base na Lei Global Magnitsky, restrições de visto e outras punições individuais. O jornalista indica que um dos alvos deveria ser o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A sessão do USTR é aberta a empresários e membros da sociedade civil. Depois das falas, o governo americano decide se vai ou não aplicar medidas comerciais contra o Brasil.




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