Marco Aurelio Santana Ribeiro, o Marcola, chefe de gabinete do Lula Foto: Reprodução / Facebook Reprodução / Facebook O envolvimento crescente de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, em investigações da Polícia Federal (PF) sobre o caso de d…
O envolvimento crescente de Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, em investigações da Polícia Federal (PF) sobre o caso de desvios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tornou-se a maior preocupação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de o cenário considerado tenso, a menos de 50 dias do primeiro turno, o PT ainda não definiu uma estratégia para blindar o chefe do Executivo dos possíveis impactos do caso, mas planeja uma nova ofensiva contra o principal adversário de Lula na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O ex-chefe de gabinete é considerado ainda mais próximo (logo, mais danoso) do que o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também citado no escândalo. Auxiliares do governo dizem que o presidente e a cúpula petista foram surpreendidos com as revelações. O chefe do Executivo ficou irritado ao saber das investigações, dizendo-se traído pelo aliado.
Responsável pela agenda de Lula desde 2016, Marcola ocupou por três anos e meio a antessala da Presidência no terceiro andar do Palácio do Planalto, com acesso direto e praticamente irrestrito ao chefe — algo que, dizem aliados, só era comparável à primeira-dama Rosângela Janja Lula da Silva, que ocupa a sala ao lado.
No início deste mês, pouco depois de Marcola ser exonerado para participar da campanha, mensagens no celular da empresária Roberta Luchsinger, investigada em inquéritos sobre o esquema de fraude no INSS, mostraram um empréstimo de R$ 249 mil para o petista. Quando avisado que as mensagens vazariam, ele contou ao presidente e preferiu deixar a campanha.
Para membros da equipe, o que mais preocupa sobre as investigações é o timing, já que acontece a menos de dois meses do primeiro turno. Até então, dizem, a equipe do presidente vinha conseguindo blindá-lo em relação ao envolvimento de Lulinha.
Desde o fim do ano passado, a estratégia estabelecida era que Lula seguisse com o discurso de que as investigações têm de seguir e, em caso de culpa, o filho deve pagar. A ideia era que essa posição afastasse qualquer semelhança que pudesse ser feita entre o petista e as acusações dirigidas à família Bolsonaro. Flávio, por exemplo, já admitiu que pretende anistiar seu pai, caso eleito à Presidência.
A expectativa é que esse discurso de Lula se repita sobre seu ex-assessor. O problema, admitem interlocutores, é que quando se fala de um contato tão próximo, de dentro do Planalto, fica “mais fácil” de a história ser aproveitada pelos adversários.
Flávio, inclusive, não perdeu tempo. Em vídeo publicado, ele tenta emplacar o apelido de “Marcolão”, em referência ao escândalo do mensalão, que assombrou o Lula 1 e foi a principal dor de cabeça para o presidente na primeira vez que tentou a reeleição, em 2006.
A campanha de Lula monitora de perto esses movimentos, mas admite que ainda não há um plano certo para colocar em prática. A definição, até o momento, é que o PT e aliados do presidente reforcem ainda mais acusações contra Flávio e sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Como revelou em maio o site Intercept Brasil, o parlamentar pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse caso, o PT pretende intensificar que foi o próprio Flávio que pediu dinheiro a Vorcaro e, por outro lado, foi um agora ex-assessor de Lula que recebeu empréstimo de Roberta.
Aumenta também a pressão sobre Nicole Briones, coordenadora de digital da campanha e esposa de Marcola. Com as novas informações de que Roberta teria comprado R$ 9,2 mil em joias para Marcola, alguns aliados dizem que a sua permanência fica “insustentável”, enquanto outros defendem que eles sempre tiveram cargos independentes na organização do PT e que ela não deveria pagar por eventuais erros do marido.




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