Dos 14 arguidos que fazem parte do processo só dois querem prestar declarações perante o coletivo de juízes.

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Dos 14 arguidos que fazem parte do processo só dois querem prestar declarações perante o coletivo de juízes.

O julgamento da rede criminosa que importava cocaína para o Porto começou com o ex-PSP Alberto Couto, conhecido como 'Joca', a remeter-se ao silêncio. Na mesma sessão, no Tribunal de São João Novo, Ricardo Ramos — um dos dois únicos arguidos que aceitou falar — negou qualquer envolvimento com o negócio da droga. O grupo, composto por 14 arguidos, é acusado pelo Ministério Público de lucrar mais de 750 mil euros com o esquema.

A organização criminosa trazia o estupefaciente da América do Sul e de Espanha oculto em cascos de navios ou em maquinaria agrícola pesada, através do Porto de Leixões. Nas operações marítimas, o ex-polícia recorreria a mergulhadores para recolher a droga nos navios. O Ministério Público acredita que 'Joca', primo de Pidá, era o cabecilha da rede. No seu depoimento, Ricardo Ramos, atualmente em prisão domiciliária, justificou as viagens ao Brasil com a criação de uma empresa a pedido de António Rocha, outro arguido: “Eu fui a pedido do senhor António Rocha ao Brasil para criar uma sociedade de importação e exportação de máquinas agrícolas”, explicou.

A sociedade fechou cerca de um mês depois. “O senhor António pediu-me para ir ver um trator que ia ser levado para Portugal. Estava em mau estado, bastante desgastado, e achei estranha a situação. Nesse mesmo dia coloquei um ponto final na sociedade”, garantiu, negando saber que uma das rodas ocultava dezenas de tabletes de cocaína, apreendidas pelas autoridades brasileiras. Ricardo Ramos disse ainda não conhecer a maioria dos arguidos, contrariando o Ministério Público, que alega que se conheceram em 2016: “Nessa altura estava a cumprir pena na cadeia. Isso não faz qualquer sentido”, concluiu.

A sessão ficou marcada pela ausência de dois suspeitos — incluindo "Vitinha", o número dois da rede e que na altura das buscas e detenções estava em peregrinação a Fátima — que continuam em parte incerta. Quanto às medidas de coação, cinco arguidos encontram-se em prisão preventiva e dois em prisão domiciliária. Os restantes aguardam o processo em liberdade.

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