Britânico foi segundo mais rápido em Spa, mas equipe não está confiante de que resultado represente condição real
O ritmo de treino na sexta-feira em Spa apresentou um panorama mais confuso do que normalmente se esperaria da Fórmula 1 na Bélgica. Quase um segundo separou os seis primeiros carros durante as simulações de classificação com pneus macios no TL2, e apenas Lando Norris ficou a menos de dois décimos do líder do campeonato Kimi Antonelli.
Norris encontrou quase 1,8s entre o TL1 e o TL2, mas nem ele nem o diretor técnico da McLaren, Neil Houldey, estavam otimistas de que o segundo lugar refletisse a posição real do carro na hierarquia. De qualquer forma, o britânico enfrenta uma penalização no grid por usar novos componentes da unidade de potência neste fim de semana.
"O TL1 não foi ótimo, para ser honesto. No TL2 [fiquei] um pouco mais satisfeito," disse Norris. "Ainda não estou muito feliz com o carro. É muito difícil de pilotar, mas parecíamos um pouco mais perto. Estamos sempre bem perto na sexta-feira nos treinos livres, acho que simplesmente mostramos mais ritmo do que alguns dos nossos concorrentes".
"Pelo que conseguimos ver, fizemos algumas melhorias no carro do TL1 para o TL2 e parecemos relativamente competitivos, mas não vamos nos empolgar. Acho que não devemos esperar nada diferente do normal", continuou.
McLaren appeared to be deploying more electrical power than Mercedes on the Kemmel Straight, and clipping less at the end of it
Photo by: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images
Spa sempre apresentou às equipes um desafio de acerto do carro, porque o primeiro e o terceiro setores recompensam o baixo arrasto, sustentado pela força do motor, enquanto as curvas mais amplas no setor intermediário exigem mais downforce. Encontrar o ponto ideal foi complicado pelas exigências de energia das unidades de potência de 2026, já que há pouquíssimas oportunidades de recarregar nas frenagens ou com lift and coast (tirar o pé do acelerador e deixar o carro deslizar sozinho).
"Há falta de entrega de energia em todos os lugares," acrescentou Norris. "Em cada reta, falta-nos energia, para ser honesto. Acho que a pior é em Blanchimont [curva 16 e 17]. Passamos de quase 320km/h para 270km/h, porque simplesmente não temos mais bateria. Então, em cada reta, estamos perdendo energia".
A McLaren usa as unidades de potência da Mercedes, mas a equipe de fábrica continua um passo à frente, não apenas em termos de downforce do chassi, mas também na compreensão de como maximizar a entrega e a recuperação elétrica em busca da ‘volta ideal’. Ao comparar a telemetria das simulações de classificação de Norris e Antonelli, é possível perceber diferenças claras na estratégia de entrega de energia.
Norris perdeu velocidade em relação à Mercedes na descida para a Eau Rouge [curva 2], sugerindo que seu carro estava ‘gastando’ menos energia. A diferença de velocidade atingiu o pico em Raidillon [curva 3] antes de Norris recuperar alguma velocidade, a ponto de sua velocidade final na reta Kemmel [entre curvas 4 e 5] ficar cerca de 5km/h mais rápida.
Mas Antonelli começou a sofrer com o superclipping mais cedo na aproximação da chicane em Les Combes [curva 5]. Então, embora Norris tenha desfrutado de uma velocidade ligeiramente maior por mais tempo, reduzindo a diferença de tempo de volta até aquele ponto para cerca de um décimo de segundo, a Mercedes estava jogando um jogo mais longo.
Norris alcançou uma velocidade máxima mais alta na ida para Bruxelles [curva 8], novamente sugerindo maior entrega de energia. O panorama então mudou na descida em direção a Pouhon [curva 10], onde Antonelli atingiu um pico de cerca de 15km/h mais rápido que Norris. Isso abriu a diferença para cerca de três décimos.
Norris was losing ground to Antonelli through Eau Rouge and Raidillon
Photo by: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images
Norris então recuperou parte disso ao atingir um breve pico de 13km/h a mais na ida para Fagnes [curva 12], novamente um fator de entrega de energia. Nesse ponto, as voltas deles estavam quase iguais.
Mas Antonelli simplesmente desfrutou de mais entrega de energia na ida para Blanchimont [curvas 16 e 17], e a diferença voltou a aumentar.
Portanto, está claro que ainda há alguma margem de manobra para redistribuir o ‘orçamento’ de energia visando alcançar o ritmo de volta ideal, mesmo considerando a diferença de desempenho aerodinâmico entre a McLaren (que trouxe uma nova asa traseira de baixo arrasto para Spa) e a Mercedes.
"Acho que Lando tirou o máximo do carro naquela sessão, então não acho que possamos dizer que segundo é a posição em que realmente estamos", disse Houldey. "Acho que temos oportunidades na entrega de energia – todo mundo as têm. Estou satisfeito por estarmos ali ou por perto no TL1, TL2 e, portanto, espero levar isso para a classificação".
"Só precisamos passar tempo durante a noite analisando onde estão as oportunidades, simulando coisas diferentes e chegando ao que achamos melhor para o TL3. Tentamos várias opções diferentes no TL1 e no TL2 e vimos outras equipes tentarem. [O ritmo certo] está em algum lugar por aí; simplesmente ainda não o encontramos", finalizou.
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