O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Marcio Elias Rosa, rebateu as críticas ao país feitas hoje pela Secretária de Agric...
O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Marcio Elias Rosa, rebateu as críticas ao país feitas hoje pela Secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins.
Rollins comemorou o novo tarifaço de 25%, anunciado há dois dias por Washington, e acusou o Brasil de praticar comércio injusto com os agropecuaristas dos EUA "há anos". "Esses dias estão acabando", afirmou, citando o etanol.
Em entrevista ao UOL, Elias Rosa disse que, entre outros assuntos, o etanol foi objeto de discussão nas cinco reuniões entre ele e o embaixador Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, nas últimas semanas.
Segundo o ministro, o pleito original dos americanos era que a alíquota para o etanol dos EUA fosse zerada. Atualmente, incide sobre o produto tarifa de 18%. Já os EUA impõem taxa de 2,5% ao etanol, mais 10% das tarifas recíprocas de Trump. Portanto, são 12,5%. "A distância era pequena, era possível chegar, mas era preciso haver um acordo, o que não aconteceu".
Rosa afirmou que o Brasil estaria disposto a negociar a taxa do etanol desde que os americanos incluíssem na discussão o açúcar brasileiro, tarifado em 100% depois do cumprimento da cota de importação, considerada pequena para o país. "Faz sentido porque, para o Brasil, é a mesma cadeia produtiva", disse, notando que o etanol brasileiro, o segundo maior produtor do mundo, é feito predominantemente de cana de açúcar. Já o etanol dos EUA, maior produtor mundial, provém do milho.
"Nessa posição [de grande produtor global], o Brasil não pode ser o destino do etanol norte-americano. O Brasil pode ser um parceiro, junto com a Índia, para que encontremos novos mercados globais para o nosso etanol. É nisso que o Brasil é a solução para o etanol dos EUA", diz Rosa.
Segundo o ministro, a ideia de conjugar açúcar e etanol num eventual acordo comercial nunca foi explorada pelas contrapartes americanas, nem houve contra-proposta até a decisão do tarifaço e a manifestação de hoje de Rollins.
"Há anos, o Brasil coloca os agricultores e produtores americanos em desvantagem por meio de práticas comerciais desleais e desmatamento ilegal", declarou a secretária americana. "A tarifa desleal de 18% imposta pelo Brasil ao etanol americano reduziu as exportações de etanol dos EUA para o país em mais de 87% desde 2018", afirmou Rollins, que agradeceu o presidente Donald Trump por "proteger os fazendeiros americanos", grupo eleitoral apoiador do republicano.
Segundo Rosa, a colega americana tenta resolver, enviando etanol americano para o Brasil, um problema que deveria começar a ser solucionado domesticamente pelos EUA.
Isso porque, enquanto o Brasil inclui 32% de etanol na gasolina comum, nos EUA, grande parte dos postos tem bombas com gasolina pura, sem adição de etanol, ou então com 10% de mistura. Eventualmente, é permitida a adição de 15% etanol.
Recentemente, Rollins conseguiu aprovar um aumento no uso de etanol na gasolina nos EUA, dado o aumento do preço do petróleo, pressionado pela guerra dos EUA com o Irã e o fechamento do estreito de Hormuz. A medida, no entanto, é emergencial, e não permanente, para tentar conter a inflação doméstica.
"A mistura de 15% deveria ser obrigatória e geral nos EUA", diz Rosa, que segue: "Falta para a política norte-americana incentivar e resolver o problema do consumo doméstico de etanol, o problema está mais na questão doméstica deles do que no Brasil. Eles fizeram uma opção pela predominância do combustível fóssil".
O ministro diz que o problema está no fato de que os americanos não garantiram um "mercado interno". "Se ela [Rollins], de fato, está preocupada em fortalecer a política local, precisa estimular esse tipo de política", disse Rosa.
Segundo o ministro, se o Brasil aceitasse zerar a alíquota do etanol dos EUA sem negociar o açúcar, isso provavelmente quebraria o setor canavieiro do nordeste brasileiro, cujo produto é menos competitivo do que o do sudeste e cujos mercados seriam mais suscetíveis à competição dos americanos.
A expectativa de Rosa é que as negociações continuem, a despeito do tarifaço.
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