Fazenda histórica que foi de barão do café dará lugar a data center de IA em Campinas Uma fazenda histórica de Campinas (SP) que já foi de Manuel Carlos Aranha, o Barão de Anhumas, um dos grandes responsáveis pela expansão da produção de café no estado de São Paulo nos séculos 18 e 19, dará lugar a um data center que promete ter 40% da atual capacidade de Tecnologia de Informação (TI) comissionada do Brasil. O anúncio foi feito na última quinta-feira (20). O

Por Gabriel Pitor, Isadora de Paiva*, g1 Campinas e região

23/08/2026 03h00 Atualizado 23/08/2026

A histórica Fazenda Pau d'Alho, em Campinas (SP), dará lugar a um data center com 40% da capacidade de tecnologia do Brasil. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (20).

Fundada em 1796, a propriedade se destacou no cultivo de café e pertenceu a Manuel Carlos Aranha, o Barão de Anhumas, um dos principais produtores paulistas.

Os imóveis do local, incluindo o casarão projetado pelo escritório de Ramos de Azevedo, a senzala e a capela, foram tombados como patrimônio histórico municipal em 2010.

Após o café, a fazenda produziu leite de gado holandês e grãos. Recentemente, a área foi vendida para a multinacional Terranova.

O novo data center exigirá 500 milhões de dólares de investimento. Os prédios históricos tombados serão preservados e restaurados pela multinacional.

Fazenda histórica que foi de barão do café dará lugar a data center de IA em Campinas

Uma fazenda histórica de Campinas (SP) que já foi de Manuel Carlos Aranha, o Barão de Anhumas, um dos grandes responsáveis pela expansão da produção de café no estado de São Paulo nos séculos 18 e 19, dará lugar a um data center que promete ter 40% da atual capacidade de Tecnologia de Informação (TI) comissionada do Brasil.

O anúncio foi feito na última quinta-feira (20). O complexo será construído na Fazenda Pau d'Alho, localizada às margens da Rodovia Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros (SP-340).

Segundo o historiador Marcelo Gaudio, a fazenda teve importância destacada para o cultivo do café na região de Campinas, que, na época, concentrava boa parte da produção nacional do grão. "Começou com engenho de açúcar, mas se destacou no café, sendo que o cultivo foi feito ao menos até meados do século 20 com trabalho de colonos", disse.

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Fachada da sede da Fazenda Pau d'Alho, em Campinas (SP), no início do século 20 — Foto: Arquivo pessoal

O local atualmente abriga um "casarão", tombado pelo município em 31 de maio de 2010 e cujo projeto teve participação do arquiteto Ramos de Azevedo. Além do imóvel, a senzala, a capela e os pátios também foram tombados.

O g1 revirou fotos e documentos históricos para contar a história da Fazenda Pau d'Alho. Nesta reportagem, você vai ler:

Avô de Francisco Glicério foi o primeiro donoBarão de Anhumas coloca fazenda na rota do caféImigrantes holandeses compram terras para produzir leiteData center de IA: o futuro da fazenda

Avô de Francisco Glicério foi o primeiro dono

Extensão da Fazenda Pau d'Alho em foto dos anos 1950 — Foto: Arquivo pessoal

A pesquisadora Julie Dutilh tem resgatado a história da Fazenda Pau d'Alho junto à historiadora Maria Alice Rosa Ribeiro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo Dutilh, a fazenda foi "fundada" em 1796, quando Antônio Benedito Cerqueira César, avô do ex-senador Francisco Glicério — que dá nome a uma das principais vias do Centro de Campinas —, inaugurou o primeiro engenho de açúcar.