O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos entre 3,75% e 4%, em linha com as expectativas do mercado.

Economia americanaFed mantém juros nos EUA entre 3,75% e 4% e sinaliza possível alta em dezembroPor Agência EFE

Dê de presentePrefira a Gazeta no GooglePresidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, nomeado por Trump (Foto: JIM LO SCALZO/EFE/EPA)Ouça este conteúdo

O Federal Reserve (Fed) manteve nesta quarta-feira (28) a taxa básica de juros dos Estados Unidos entre 3,75% e 4%, em linha com as expectativas do mercado. A decisão foi apoiada por dez dos 12 integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Lisa Cook e Beth Hammack defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.

A decisão ocorre em meio à inflação persistente, que ficou acima de 3% nos últimos três meses, segundo o Fed. O banco central atribui parte da pressão sobre os preços ao encarecimento dos combustíveis provocado pelas guerras no Irã e na Ucrânia. A meta de inflação da instituição é de 2%.

Em comunicado, o Fed afirmou que a economia americana continua crescendo em ritmo sólido e que o consumo das famílias permanece resistente. O órgão também destacou a força dos investimentos e a estabilidade do mercado de trabalho.

Após o anúncio, o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos chegou a 5,045%. Esse indicador influencia os juros de financiamentos imobiliários, empréstimos para a compra de veículos e dívidas de cartão de crédito. Os títulos de dois anos, mais sensíveis às decisões da Fed, avançaram 0,039 ponto percentual, para 4,77%. Já os papéis de 30 anos subiram para 5,335%.

A expectativa de que os juros permaneçam elevados por mais tempo leva investidores a exigir retornos maiores para comprar títulos da dívida americana. Com isso, os preços desses papéis tendem a cair, enquanto seus rendimentos sobem.

Uma nova alta na taxa de juros em dezembro, de 0,25 ponto percentual, já está no radar dos mercados. A decisão dependerá, entre outros fatores, da evolução da inflação e da atividade econômica.

O presidente da Fed, Kevin Warsh, anunciou mudanças no calendário de reuniões sobre política monetária. Em 2027, o número de encontros destinados à definição dos juros cairá de oito para sete. A partir de 2028, a previsão é de seis reuniões voltadas a essas decisões.

Segundo Warsh, a mudança permitirá que os integrantes do comitê tenham mais tempo para discutir a estratégia econômica do banco central americano. Em 2027, uma das reuniões será dedicada exclusivamente a esse debate, sem votação sobre os juros. Em 2028, serão dois encontros estratégicos e seis para definir a taxa básica.

O Fed mantém oito reuniões anuais desde 1981. Warsh assumiu a presidência da instituição em maio e afirmou que a mudança busca melhorar a qualidade das discussões e das decisões.

O Banco Central Europeu (BCE) deve manter os juros em 2,5% nesta quinta-feira (29), após as altas de junho e setembro. A inflação elevada, impulsionada pelo custo da energia, porém, pode levar a novos aumentos em dezembro.

Economistas da Generali Investments e da J. Safra Sarasin Sustainable AM projetam altas de 0,25 ponto percentual em dezembro e março de 2027. A perspectiva depende da evolução dos preços e das condições econômicas.

A situação fiscal da França é um dos fatores de preocupação. O país tem dívida pública equivalente a 119,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e déficit de 5,1% do PIB, acima da média de 3,3% da zona do euro. Analistas avaliam que uma deterioração mais grave no mercado de títulos franceses poderia influenciar as decisões do BCE.

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